4 de maio de 2016

O tropeiro e o juiz

Dr. Athayde
Antônio Augusto Athayde
Meu bisavô era juiz pelo interior de Minas, nos tempos do Onça. Consta que não se dava muito ao trabalho de ser elegante e, como usual à época, ia à estação ver o trem chegar e prosear com quem estivesse por lá.
Um tropeiro, recém-chegado à cidade, não o conhecia e pediu que ele amparasse um balaio, enquanto tratava de equilibrar a carga. Não foi negado o préstimo, que foi recompensado com uma moeda, embolsada com o comentário: trabalho honesto!
Sou levado a supor que meu ancestral tenha posto fim àquele níquel em algum estabelecimento cirunvizinho, pois aquela moeda não chegou a mim por herança.
Dia seguinte, ou semana seguinte, o tal tropeiro precisou assuntar no fórum alguma demanda havida lá e se inteirou de que o chapa da estação era o meritíssimo togado (dos Arcos de S. Francisco!). Horrorizado com o evento, o digno patrono dos burros de carga precisou ser informado pelo emérito julgador de que não havia nenhuma incompatibilidade entre a judicância e eventual serviço de pré no cais dos trens
!