Demóstenes não foi atirado da torre. O célebre orador do
senado, intransigente defensor da lisura no trato da coisa pública e dos
valores democratas, teve longa carreira no serviço público, pregando contra a
corrupção e pela defesa intransigente de seu Estado. Ainda criança, Demóstenes
perdeu o pai e sua herança foi roubada por seus tutores. Depois de adulto,
abriu processo para recuperar os bens roubados. Ganhou o processo, mas não
recuperou todos os bens que lhe pertenciam. Com vinte e sete anos iniciou sua
carreira de orador no ministério público e logo conseguiu destaque.
Bem jovem, Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um
orador teve um desempenho brilhante e mudou um veredicto que parecia definido.
Demóstenes gostou daquilo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da
palavra, que parecia capaz de fazer milagres. Sua vida como orador e político
foi dedicada à defesa dos democratas e contra inimigos totalitários e
despóticos que chegaram à hegemonia àquele tempo. Demóstenes escreveu inúmeros
discursos que ficaram conhecidos pela virulência e cristalina lógica
argumentativa. O objetivo era conclamar os seus cidadãos e arregimentar forças
contra a demagogia e as forças dos adversários, principalmente os do Norte e
Nordeste, antes que fosse tarde demais.
Mais recentemente, Demóstenes vê decair tanto sua reputação
quanto influência. Chegando mesmo a ser condenado por ter se deixado comprar e
facilitar atos ilícitos. Chega a ser preso, mas consegue fugir, exilando por
longo período.
Após a morte do grande cacique político de seu tempo,
Demóstenes tentará retomar suas atividades. Falhando no intento, Demóstenes
foge para alguma ilha distante. Quando percebe que está cercado, resta-lhe o
suicídio, por veneno – não ficou preso em torres nem foi atirado delas.
Não, não! Essa não é uma crônica atual, aconteceu na Grécia,
Δημοσθένης viveu entre 284 a.C. e 322 a.C.
