Anteontem, tive com o senador Eduardo Azeredo, pelo Twitter, um debate em que o ataquei duramente - cobrando dele posição e postura quanto aos crimes de que é réu no Supremo Tribunal Federal.
O senador sustentou o debate, argumentou, apresentou suas teses - assim como eu - na exiguidade e e imediatismo daquela mídia. Pediu-me o senador meu endereço eletrônico para me escrever com melhor argumentação sobre o caso. Reproduzirei abaixo a íntegra da carta do senador, bem como nosso debate no Twitter (um pouco editado, para facilitar ao leitor e encurtar). O que quero notar aqui, e o faço na melhor intenção, é a disposição do senador para o debate - em absoluta igualdade e na condição que o Twitter possibilita, com a publicidade dos que o seguem lá (@azeredosenador) e dos que me seguem (@pathayde). Não formei juízo quanto a culpa do senador, não tive aceso aos autos e limito minha opinião ao acompanhamento do julgamento pela TV Justiça. Parabenizo o senador pela disposição ao debate e agradeço pela atenção que me foi dispensada, na qualidade de obscuro eleitor que sou.
Twitter, 3 de maio de 2010. 16h2min.**
@AzeredoSenador: Em Uberaba, com José Serra e Antônio Anastasia.
@pathayde: RT @AzeredoSenador: Em Uberaba, com José Serra e Antônio Anastasia. [PEGA MAL PRA ELES APARECEREM COM VC.]
@AzeredoSenador: Os mineiros não pensam assim. E os pré-candidatos tb não.
@pathayde Eu sou mineiro e ex-eleitor seu. O senhor não tem procuração para falar por "mineiros". Os votos que o senhor já teve na vida foram dissolvidos pelo STF. Eu vi a sessão que fez do senhor réu.
@AzeredoSenador: Tive 4,5 milhões de votos.
@pathayde: Qual foi o resultado da votação de seu indiciamento no STF mesmo? Se o pais tivesse compostura, réus ñ se candidatariam. Seu nome é sujo na praça.
@AzeredoSenador: Então deve ter visto tb a defesa. A Justiça é a instância p q minha probidade seja provada. E farei isso. O STF é instância p defesa. Farei isso e, como disse, comprovarei minha idoneidade.
@pathayde: Vi sua defesa, ñ convenceu a corte nem a população. Benefício de dúvida é pra cidadão, ñ pra político salvo p/ prescrição. Os senhores contam com impunidade e falta de memória pra incorrer na prescrição. Eu vi a sessão a os indícios probatórios. Gente que vive às barras da justiça não deveria ter a descompostura de falar em nome de mineiros. Recolha-se. Eu sou um cidadão honesto e me enganei e votei no senhor. Não cometerei mais esse equívoco. E vou lembrar meus conterrâneos.
@AzeredoSenador:: Essa é a sua opinião. Eu tenho o direito de usar este espaço democrático e vou fazê-lo. Boa noite.
@pathayde Muitos têm opinião formada sobre eleger políticos de ficha limpa.
**Algumas tuitadas, de ambas as partes, foram condensadas, para facilitar ao leitor procurando manter fidelidade ao debate.
Carta recebida do senador Eduardo Azeredo em 5 de maio:
Publio
Como expliquei, escrevo em função de nossos debates no Twitter. Você disse que acompanhou a sessão do STF em que a denúncia contra mim foi aceita. Acredito que poderei comprovar minha idoneidade no decorrer do processo que vai se desenrolar. Entretanto, percebo que alguns pontos podem ser esclarecidos, sobretudo, em respeito ao voto que você me confiou – o qual, aliás, agradeço.
1) Nunca houve “mensalão” em Minas Gerais. No estado, não houve pagamento a parlamentares em troca de apoio político ou voto. As questões financeiras envolvendo a campanha eleitoral de 1998 não foram de minha responsabilidade. Isso foi comprovado com documentos apresentados à CPMI dos Correios. Os mesmos documentos também foram enviados à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República. Você conhece Minas Gerais. Deve saber que uma campanha eleitoral, em um estado com 853 municípios, exige delegação de funções – o que foi feito.
2) Os patrocínios de que trata a denúncia foram dados por empresas estatais a três eventos – Enduro da Independência, Iron Biker e Super Cross. Antes limitado à participação de competidores nacionais, em 1998, o Enduro ganhou dimensão internacional, tornando-se muito maior. Não é justo, portanto, comparar os gastos daquele ano com o de anos anteriores. E posso afirmar que houve uma interpretação equivocada no tocante ao destino das verbas de patrocínio. Esses recursos não foram utilizados somente em propaganda, mas na estrutura total dos eventos. Aliás, esses gastos foram fartamente documentados e noticiados pela imprensa à época.
Bemge, Comig e Copasa, embora estatais, tinham autonomia financeira e foi delas (e não do Governador) a opção de destinar cotas de patrocínio aos eventos realizados pela SMP&B Comunicação Ltda – detentora legal da exclusividade dos eventos.
3) O recibo citado como sendo prova de uma quantia por mim recebida é uma cópia reprográfica, com falsificação grosseira de minha assinatura. Ali há até erros de português, como a incorreta grafia “saudar” referindo-se a “saldo”. Trata-se de um documento entregue à PF pelo senhor Nilton Monteiro, um reconhecido lobista com inúmeros processos judiciais. E, embora solicitado pela PF, o original nunca apareceu.O senhor Monteiro se aliou a adversários políticos meus no estado, arquitetando esse embuste.
A tal cópia, de tão falsa, não foi considerada, nem pela PF nem pela PGR, como prova acusatória. Mas tendo em vista o destaque dado a este documento pelo ministro relator, laudo pericial comprovando sua total falsidade já foi apresentado pela defesa, como mais uma prova de minha lisura na condução dessa questão.
A verdade, portanto, é que eu nunca me apropriei de dinheiro público ou de verbas destinadas à campanha.
Conforme os ministros apontaram, trata-se do início de um processo, não configurando condenação. A diferença foi de apenas dois votos – 5 a 3, além da ausência de outros três ministros. E como afirmaram Gilmar Mendes, presidente do STF, Dias Toffoli e Eros Grau, a denúncia não apresentou provas que justificassem a abertura desta ação.
Quando falo que os mineiros me conhecem, refiro-me ao fato de que a grande maioria dos mais de 4 milhões de eleitores que tive continua acreditando na minha palavra. São pessoas que, como você disse ter sido, têm em mente o bom desempenho à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e do Governo de Minas Gerais. São pessoas que se lembram, por exemplo, da Lei Robin Hood (que, a propósito, valorizou sobremaneira os municípios que preservam seus patrimônios históricos e ambientais), das obras de saneamento, das duplicações de rodovias importantes, entre outras ações.
Enfim e apesar de tudo, creio que encerro este mandato no Senado com um saldo bastante positivo, com proposições importantes apresentas, relatadas e aprovadas. Algumas, de fato, mal compreendidas, como foi a questão do combate aos crimes digitais – equivocada e midiaticamente confundida com “censura” à internet. Também estou certo de que muito fiz por Minas Gerais no que diz respeito ao Orçamento da União, aprovando emendas que foram convertidas em investimentos na infraestrutura do estado.
Além disso, meu desempenho na presidência da Comissão de Relações Exteriores tem sido bem considerado pelos pares e pela população. Até aqui, pudemos levar à sociedade debates importantes como a nacionalização de empresas brasileiras na Bolívia e a entrada da Venezuela no MERCOSUL.
E ainda a questão do visto Brasil-Estados Unidos – tema de outro debate nosso. A intenção foi apenas facilitar o fluxo de viajantes, com a adoção de medida de caráter prático e que irá beneficiar significativos contingentes de pessoas, obrigadas a constantes deslocamentos entre os dois países. E, neste particular, seria interessante, sim, levar adiante proposta no sentido de aumentarmos também a validade do passaporte – conforme você sugeriu.
É o que tenho a dizer (reconhecendo que escrevi demais), repito, em respeito ao voto que você me confiou e ao apoio que dá ao candidato José Serra e ao PSDB.
Obrigado pela atenção.
Eduardo Azeredo.