13 de dezembro de 2019

Atualizações e atualidades

O fôlego que a economia começa a tomar é um alento. Ainda não se pode afirmar se são efeitos positivos da gestão atual, ou simplesmente a acomodação pela supressão dos efeitos negativos dos governos anteriores. De qualquer modo, os índices são promissores – posto que meramente como tendência recém-revertida. Os fatores que constituem sólidos argumentos a favor da expansão nossa base econômica são constantes: milhões de quilômetros de terras agráveis, subsolo com jazidas imensuráveis, mercado interno dinâmico e diversificado. Os fatores contrários, principalmente aqueles conhecidos com "custo Brasil" estão a ser contornados: equilíbrio das contas correntes, redução do ônus da dívida pública, aterramento do abismo previdenciário, rompimento das peias trabalhistas – tudo isso aos poucos, mas com vieses de alvíssaras; todavia, será necessário desburocratizar todas as relações das cadeias produtivas e de gestão pública.
Diversas setas e gráfico indicando para cima.
Qual será a duração dos indícios positivos na economia?
Resta-nos o histórico problema da impunidade, recentemente agravado pala interpretação forçada e deletéria emprestada pelo STF ao conceito de culpa para efeitos de cumprimento de pena; ainda temos um sistema de ensino vilipendiado por profissionais mal pagos e – consequentemente – insuficientemente qualificados; para não falar do epidêmico aparelhamento dos quadros do magistério pelos projetos hegemônicos de cunho duplamente gauchista, canhestro, embolorado e sebastianista; ainda temos a base de exportações fortemente ligada às comódites – e, em paradoxo, somos dos maiores exportadores de aviões a jato do mundo; ainda temos o parque industrial bastante sucateado, mas com capacidade ociosa para ocupar muitos braços que inda estão cruzados ou simplesmente tocando viola – cabe fazer aqui um reequipamento e atualizações de todo tipo: o caráter de ação que requer investimento e, como não temos poupança interna (principalmente depois que a existente foi dilapidada nas primeiras décadas deste século), vai ser necessário atrair as divisas do poupador estrangeiro apresentando a ele estabilidade econômica e segurança jurídica. Para médios e longos prazos, ainda somos uma incógnita: mas as especulações que transcendem o próximo ano estão completamente obnubiladas pelo quadro exterior, notadamente pelas relações entre os gigantes da economia (EUA, Europa e China) que projetam reflexos e sombras sobre todos as possibilidades e podem vir a apresentar novos paradoxos a cada balanço. As certezas são de que precisaremos de infraestrutura: virtualmente, não temos ferrovias e hidrovias: dois óbices inexplicáveis face a dimensão continental do país; precisaremos deixar de conviver com a criminalidade dos tráficos de drogas e de influências; precisamos de um sistema legal em que todos possam ler as mesmas coisas dos textos jurídicos – principalmente os juízes! No campo das mentalidades, caberá um sobre-esforço para dirimirmos nas gerações presentes e vindouras as confusões entre o que é público e o que está privado: da promiscuidade entre as duas espécies advieram as ingerências que quase nos destruíram o Estado. Todavia... – sempre essa ou outra conjunção e algumas conjunturas estão a nos reter. Os desejos não produzem efeitos, por mais que atribuam força às palavras. Resta-nos trabalhar – para outros ainda cabe rezar. Vamos parar de ter fés insubstanciais em sistemas e processos eleitorais mirabolantes como soluções mágicas para os problemas conjunturais: o que precisamos é de mudanças profundas nas mentalidades. Deixemos de lado a noção de que mudanças nas leis terão o condão de propiciar o bem-estar geral: a situação da coletividade será positiva na exata medida em que for produto de suas visões de bem-comum e de alteridade não antagônica. Há muitos aspectos prósperos em nossa atual senda econômica, mas vai caber a nós não reverter o rumo – principalmente por trilharmos (de novo, e talvez para sempre!) um rumo político reconhecidamente deletério.

11 de dezembro de 2019

Gramsci, Freire e Educação de Adultos

Gramsci, Freire e Educação de Adultos
Gramisci arquitetou a armadilha em que o ensino e a mídia brasileira caíram. Paulo Freire trocou em miúdos para a galera de baixo a lenga-lenga comunista. Vou tentar explicar: Gramsci estudou as formas de dominação pela educação e pela comunicação social - mas ele fez isso com o objetivo de que o partido comunista usasse tal conhecimento para obter a hegemonia. A ideia não é libertar as pessoas, mas levá-las ao tipo de escravidão que os soviéticos tentaram impor ao mundo. Em paralelo, seria como um empresário lendo Marx para aprender a otimizar a extração da mais valia relativa. Sinto muito, não sei desenhar isso para você.
Os pedagogos engoliram direitinho a patacoada e fizeram o mais indecente lobby junto ao Estado, que caiu de quatro para os lazarentos. Agora estamos assim: o ensino e a imprensa totalmente esquerdopatas e 20 gerações de professores formados segundo a cartilha leninista. Vamos dormir com essa barulho por 50 anos, no mínimo: se der certo o desmonte dessa pouca vergonha que está ai. Temos pano para manga!
O livro: Gramsci, Freire ve Yetişkin Eğitimi (Gramsci, Freire e Educação de Adultos). Como se "educação" e ensino fossem a mesma coisa. Como se coubesse ao Estado usurpar o sagrado direito de o grupo familiar educar as crianças, como se adultos fossem "educáveis"... Como se a a doutrinação nas escolas fosse educação - em lugar do ensino! É contra toda essa treta que temos que nos armar!

9 de março de 2019

Substitutivo: minuta de Estatutos dos Escoteiros do Brasil

Estatutos, UEB, substitutivo, Públio Athayde
Como todos os associados, fui tragado por um processo estatuinte sobre o qual um único comentário é possível: foi tudo feito com má fé. O objetivo claro das consultas feitas não passou de subterfúgio. O consultor contratado ao arrepio de haver quem pudesse fazer melhor serviço de graça, mostrou-se - no mínimo - um poço de incompetência. As informações que ele trouxe ao texto poderiam ser obtidas por qualquer um minimamente ilustrado, já o texto oferecido como redação final está às raias do disparte, não tem nenhum cabimento apresentar tal coletânea de barbaridades, barbarismos - no sentido linguístico do termo. É vergonhoso! Em virtude das considerações colocadas e no anseio de prestar minha colaboração, acima e além de oferecer críticas públicas, dou a público este documento de minha lavra. Não sou delegado e nem serei chamado a opinar no processo de votação do novo estatuto. Quem tiver peso político para o fazer, é meu convidado a apresentar em Brasilia meu substitutivo ou outro.

  Minuta Estatuto Escoteiros do Brasil 2019 by Publio Athayde on Scribd

4 de março de 2019

Meu nome não é "chefe"

Uma curta frase que publiquei há poucos dias no Facebook dou aso a muitas digressões (Meu nome não é “chefe” – seja lá onde for. Vamos parar com essa feiura?) e, segundo o hábito recente nas redes sociais, até algumas agressões rolaram. Na verdade, roubei o tema de uma publicação de origem indeterminada que vi em várias páginas pessoais na internet, com alusão ao carnaval: “se me vir no bloco, meu nome não é chefe” – com algumas variações dessa ideia. Agora sou forçado a alongar o raciocínio, pois muitos têm dificuldades com frases curtas, principalmente se houver nelas alguma profundidade.
Eu não sou um chefe: sou um exemplo a ser seguido.
A ideia é abandonar a ideia de "chefe".
Primeiramente, quero apontar e ressaltar que eu me referi a mim: meu nome! Cada um que seja chamado como preferir, de preferência que não adote uma epígrafe pejorativa. Alguns gostam e adotam apelidos que lhes dão, pelos mais diversos motivos; os jovens fazem isso constantemente, em sua contínua busca pela própria identidade. Chamo a atenção para o fato de que, subjacente à brincadeira de carnaval, existem as leituras perversas da frase original: aqui no bloco eu não sirvo de exemplo, não quero que meus amigos saibam que sou escoteiro, vá caçar sua turma, sou chefe só quando estou com o lenço no pescoço, não queria que você me visse fantasiado de melindrosa... e por aí afora. Mas isso tudo, nos piores dos casos. Em geral, é só brincadeira mesmo – e é assim que tomo.
Entretanto, vale saber que as funções que exercemos, no escotismo ou em qualquer parte, não são pronomes de tratamento. Ninguém se chama “garçom”, “mecânico”, “frentista”, “doutor”, “juiz”, “deputado”, “açougueiro”... os brasileiros ainda usamos estas palavras equivocadamente, para interpelar pessoas. As instituições mais retrógradas ainda exigem tratamentos que não são do uso cotidiano: excelência, meritíssimo e coisas do gênero – isso dentre nós, lusófonos. Em muitas instituições que exigem menção hierárquica precedendo o nome, por encurtamento e abreviação, toca-se o nome pelo posto: no batalhão, o coronel Fulano vira “coronel”, pois ele é o único que manda, o único que importa; como há meia dúzia de tenentes por lá, eles não pode ser apenas “tenente”; no seminário, ninguém é “cônego” porque haverá muitos cônegos por lá, e ninguém é “dom” – pois o número de bispos em contexto também é grande! Usam-se cônego Fulano, dom Beltrano e tenente Sicrano, assim como se usam chefe Fulano, chefe Beltranoutro, etcetra; e aí é que a coisa pega: ninguém é chefe de ninguém no escotismo: no sentido de que ninguém manda (ou ninguém deveria mandar!) – então, menos ainda tratar ou invocar terceiros com este termo! As palavras têm seu peso, sua força e se traduzem em comportamentos e atitudes. Não é por devaneio que faço forte apologia ao abandono do termo “chefe”… É para ver se algumas pessoas entendem que não são chefes de nada e parem de mandar nos outros.
É necessário que os adultos entendam seu verdadeiro papel de facilitadores da prática do escotismo e parem de se intrometer coercitivamente com os jovens: o papel de ser exemplo é passivo! O papel do escotista é tentar eclipsar-se como condutor e fixar-se como exemplo: non duco! Ser exemplo não é adotar uma série de atitudes em determinada circunstância e outra em outro contexto. Ser exemplo não é adotar um comportamento quando tem o lenço ao pescoço e outro tipo de atitude quando está enrolado na serpentina; quem fizer isso soa falso em uma das duas posições, senão em ambas! Nem se pode ser exemplo em horário de expediente tão somente, exemplo é uma constante – ou é mal exemplo, ou exemplo do mau.
Quanto à tradição do uso do termo “chefe” dentre nós... por favor, parem de chamar maus hábitos de tradição! Não é porque o erro é antigo que ele se justifica! Ademais, é necessário evitarmos expressões que tragam para nosso seio gente frustrada que procura cargos pelos títulos pomposos que possam ter, gente que nunca chefiou nada na vida e procura compensar isso mandando em um bando de guris é tudo de que não precisamos!
Por fim, a pérola maior: pior que chefe, no contexto do Movimento Escoteiro, é o “chefe sênior” – gente que se ilude aplicando a si o termo “sênior” como agravante de ser “chefe”. Como se ser chefe de uma tropa sênior fosse algo mais que dirigir qualquer outra seção, de qualquer ramo. Bem fazem os pioneiros que não chamam ninguém de mestre... (Ou chamam?) Há outros termos perniciosos em uso no escotismo e caberia refletirmos sobre eles, sei quanto é duro lutar contra as palavras, pois precisamos nos servir delas para tanto.
Meu nome não é "chefe" - seja lá onde for. Vamos parar com essa feiura?
Respeito é tratar as pessoas por seus próprios nomes!
P.S. Está dando pano pra manga, e nem era pra se fazer sequer uma gola! Por favor: meu nome não é chefe. Chefe não é pronome de tratamento. O engano de muitos começa pelo fato de que não existe hierarquia no escotismo, apesar de bastante gente forçar uma barra enorme para entender diferente! A maioria não tem em conta que hierarquia é uma estrutura rígida e progressiva, de acessão por mérito ou tempo... nada disso ocorre entre nós. Temos um organograma na instituição, mas todos os cargos são transitórios e a ascensão ou descenso na estrutura orgânica são transitórios e rotineiros, sem mérito ou demérito! Não existe hierarquia entre voluntários e membros juvenis, uns não estando acima de outros, existe uma estrutura de serviço, em que cabe aos adultos servir aos propósitos institucionais visando os jovens. Acho perfeito que me chamem pelo nome que meus pais escolheram para mim, e ninguém precisa usar outros títulos que tenho para isso, e muito menos jovens de quem quero me aproximar deverão fazê-lo! Não gosto que me chamem de chefe, pois não é meu nome e não descreve uma atividade que eu exerça. Não gosto porque me parece arcaico e ególatra exigir, sugerir ou propor que, quem quer que seja, me trate de algo que não seja meu nome. Nos dois últimos dias, mais de duas pessoas já me convidaram a deixar o escotismo por pensar assim! Só posso entender que existem pessoas com medo de perder statos que se arrogam indevidamente. Quanto à tradição, poupem-me desse discurso vazio: tradição é sempre só uma moda que inventam em algum tempo a serviço de pessoas ou circunstâncias que não existem mais! O maior mérito de B-P foi ter rompido com as tradições vitorianas e proposto uma série de comportamentos educacionais inovadores: inovadores há cem anos, a maioria dos quais não guarda a menor relação com a juventude ou a sociedade do XXI.