
Ou a ilusão de que, se alguém ler, poderá se dar ao trabalho de querer copiar tudo ou algo do que escrevi.
Mas é tudo mentira, o direito de cópia não existe. Ou melhor, existe o direito de copiar e ser copiado, inventaram inclusive o Ctrl+C pra facilitar o plágio, o enruste e a apropriação indébita de textos e idéias. Afinal, texto é só mesmo algo que está na internet e serve pra ser remontado a bel prazer. E a idéia é apenas um pensamento tão fugaz que precisa do texto pra subsistir.
Os senhores da informática ainda criarão um Ctrl+©, de modo a facilitar a apropriação à socapa dos textos, das idéias e dos lucros que deles advierem.
Mas é bom ver a bolinha comedora de c antes do nome da gente, pois os que temos esse privilégio somos uma minoria. Integramos aquela parte da humanidade que, enobrecida pelo prefixo ©, tem o direito de servir de parâmetro aos demais, o direito de sermos os modelos e modeladores de idéias – mesmo que elas valham tão pouco e possam ser vampirizadas ao gosto do freguês.
Num passado remoto, as pessoas eram enobrecidas pelo a engolido pelo caracol: @ – mas esse sufixo dos nomes e apelidos deixou de ser signo de nobilitância ou notabilidade. Qualquer cidadão alfabetizado do Planeta já sapecou uma arroba entre seus apelidos e um domínio comercial alheio, sentindo-se muito feliz e realizado com o feito. Parece que a @ engordava o ego em exatamente 32 arratéis. O mundo foi inflacionado desse símbolo haurido do pretérito e hoje ele é apenas um fardo a mais que carregamos. Sem falar no trabalho que dá ditar para os outros o malabarismo que fizemos com nossos nomes antes do @ para encaixar nos domínios mais comuns, deturpando os apelidos que ganhamos no primeiro vagido: pathayde@***mail.com
Mas eu vim aqui pra falar do ©, não gastemos mais verbo com o ignóbil primo pobre.
A bolinha engolidora de c é tão mais importante que antecede os nomes. Ela é tão mais conservadora que não detona os cognomes que trazemos na cédula de identidade. © Públio Athayde. Isso é belo, repitamos: © Públio Athayde.
Quase todos temos especial afeição pelos nossos nomes próprios. Convenhamos que o © enfeita bem mais nossas alcunhas que os desgastados Dr. e seus pares que significam formação ou pretensão bacharelesca, patente, atividade clerical e quejandos.
Ah! Não deve ser tarde pra explicar a plebe ignara: © significa copyright (leia: copirraite – que é a forma vernácula da palavra e o som se aproxima da leitura que fariam os anglófonos). A coisa (©) significa, ou pretenderia significar, que, naquele caso, o fulano cujo nome aparece depois, pessoa física ou jurídica, é do detentor direito exclusivo do autor, compositor ou editor, podendo de imprimir, reproduzir e até vender obra literária, artística, científica; quer dizer que ele tem o direito autoral. Isso é o que consta e tentam fazer valer. Mas não vale. Dizem que vale mais alhures, mas em Pindorama – terra em que mais vale ter que saber – o direito autoral é uma piada, mesmo as piadas aqui são surrupiadas de quem as cria, sabem-no os comediantes.
Contentemo-nos com o que nos cabe de vaidade por termos um apêndice tão redondo antes de nosso nome. Eu fico feliz sempre que escrevo meu nome desta forma: © Públio Athayde (pra não perder a oportunidade).
Imagino que, cedo ou tarde, eu vá encontrar esse texto com outro nome, que não o meu, depois dos © que espalhei por aqui. Já escrevi isso tudo conformado com essa probabilidade e sobreviverei ao trauma.


