27 de março de 2009

© Públio Athayde


© Públio Athayde

Gosto muito de ver meu nome antecedido desta bolinha que comeu um c. Fica a sensação (falsa) de que me copiar valeria alguma coisa.
Ou a ilusão de que, se alguém ler, poderá se dar ao trabalho de querer copiar tudo ou algo do que escrevi.
Mas é tudo mentira, o direito de cópia não existe. Ou melhor, existe o direito de copiar e ser copiado, inventaram inclusive o Ctrl+C pra facilitar o plágio, o enruste e a apropriação indébita de textos e idéias. Afinal, texto é só mesmo algo que está na internet e serve pra ser remontado a bel prazer. E a idéia é apenas um pensamento tão fugaz que precisa do texto pra subsistir.
Os senhores da informática ainda criarão um Ctrl+©, de modo a facilitar a apropriação à socapa dos textos, das idéias e dos lucros que deles advierem.
Mas é bom ver a bolinha comedora de c antes do nome da gente, pois os que temos esse privilégio somos uma minoria. Integramos aquela parte da humanidade que, enobrecida pelo prefixo ©, tem o direito de servir de parâmetro aos demais, o direito de sermos os modelos e modeladores de idéias – mesmo que elas valham tão pouco e possam ser vampirizadas ao gosto do freguês.
Num passado remoto, as pessoas eram enobrecidas pelo a engolido pelo caracol: @ – mas esse sufixo dos nomes e apelidos deixou de ser signo de nobilitância ou notabilidade. Qualquer cidadão alfabetizado do Planeta já sapecou uma arroba entre seus apelidos e um domínio comercial alheio, sentindo-se muito feliz e realizado com o feito. Parece que a @ engordava o ego em exatamente 32 arratéis. O mundo foi inflacionado desse símbolo haurido do pretérito e hoje ele é apenas um fardo a mais que carregamos. Sem falar no trabalho que dá ditar para os outros o malabarismo que fizemos com nossos nomes antes do @ para encaixar nos domínios mais comuns, deturpando os apelidos que ganhamos no primeiro vagido: pathayde@***mail.com
Mas eu vim aqui pra falar do ©, não gastemos mais verbo com o ignóbil primo pobre.
A bolinha engolidora de c é tão mais importante que antecede os nomes. Ela é tão mais conservadora que não detona os cognomes que trazemos na cédula de identidade. © Públio Athayde. Isso é belo, repitamos: © Públio Athayde.
Quase todos temos especial afeição pelos nossos nomes próprios. Convenhamos que o © enfeita bem mais nossas alcunhas que os desgastados Dr. e seus pares que significam formação ou pretensão bacharelesca, patente, atividade clerical e quejandos.
Ah! Não deve ser tarde pra explicar a plebe ignara: © significa copyright (leia: copirraite – que é a forma vernácula da palavra e o som se aproxima da leitura que fariam os anglófonos). A coisa (©) significa, ou pretenderia significar, que, naquele caso, o fulano cujo nome aparece depois, pessoa física ou jurídica, é do detentor direito exclusivo do autor, compositor ou editor, podendo de imprimir, reproduzir e até vender obra literária, artística, científica; quer dizer que ele tem o direito autoral. Isso é o que consta e tentam fazer valer. Mas não vale. Dizem que vale mais alhures, mas em Pindorama – terra em que mais vale ter que saber – o direito autoral é uma piada, mesmo as piadas aqui são surrupiadas de quem as cria, sabem-no os comediantes.
Contentemo-nos com o que nos cabe de vaidade por termos um apêndice tão redondo antes de nosso nome. Eu fico feliz sempre que escrevo meu nome desta forma: © Públio Athayde (pra não perder a oportunidade).
Imagino que, cedo ou tarde, eu vá encontrar esse texto com outro nome, que não o meu, depois dos © que espalhei por aqui. Já escrevi isso tudo conformado com essa probabilidade e sobreviverei ao trauma.

25 de março de 2009

Tadinha - letra, música e história


No dia 10 de março de 2004, eu e minhas tias Helia e Maria Lucia saímos para um de nossos muitos e memoráveis almoços. A foto ao lado é do evento. Naquele dia, fomos ao A Favorita, em Lourdes (bairro de Belo Horizonte). Nosso ritual era sempre mais ou menos o mesmo, inclusive nas pequenas coisas, ao entrar e sair do carro, na escolha do destino, o horário. Nesse dia, tia Helia, por se sentir cançada ou por puro dengo, comentou algo como "tadinha de mim" ao sair do carro na volta pra casa, e brincou um pouco com as palavras, "tadinha de mim, estou velha" - algo assim... O tema e o afeto surgiram de imediato. Mal cosnegui ajudá-las a entrar e casa e corri para escrever a letra, já cantarolando a música. Gravei na mesma hora, direto no computador - não sei escrever música.
Pronto, brinquei um pouco com os recursos de áudio do computador e enviei a letra e minha cantoria desafinada para meu amigo Danilo Collado; este é músico amador, diz que é pianista e toca Bach, mas nunca o ouvi ao piano nem conheço que tenha ouvido; em todo caso, ele é cantor na conhecida Cameratta Lusittana - e em terra de cego pra partitura, ele tem pelo menos um olho. Dai a primeira transcrição de Tadinha: meio mambembe, meio baiana, mas já um registro.
Já há alguns dias, encontrei dentre meus guardados a tal música e atinei de a enviar a um amigo, Arcésio Andrade, este profissional da música: violonista formado e professor na UFRN. Fi-lo por pura brincadeira, puxando assunto. Não foi que Arcésio arrumou o que havia de arrumar na música, consertou o que havia de concertar e gravou a primeira versão decente da marchinha, além de fazer a correta transcrição musical de minha obra.
Bem, aqui está o resultado disso tudo!
Para ouvir a gravação do Arcésio, clique aqui!
Muito obrigado ao Danilo e ao Arcésio. No dia que a música ganhar o Gremmy beberemos todos juntos!


Tadinha - letra e música Tadinha - letra e música (Copyright) Publio Athayde 2004/2009

17 de março de 2009

Noções de espaço e tempo no ensino de História


Como todos os conceitos históricos, os de espaço e tempo se modificaram historicamente. A aplicação desses conceitos no ensino deve ser pautada pela sua historicidade, antes de tudo, e pela compreensão da dimensão que cada um deles têm no imaginário do educando.

Noções de espaço e tempo no ensino de História
Leia também:

Arqueologia - Tempo - Espaço

Arqueologia, tempo e espaço, são três conceitos cuja ambiguidade é cada vez mais evidente, mas cuja relação é inequívoca, e, sobretudo, Tempo e Espaço podem por si sós ser o objecto (ou objectivo?!) da prática arqueológica

Excomunhão

Excomunhão é o ato ou efeito de excomungar. O termo empregue dentro do cristianismo significa Sair da Comunhão.

É uma das maiores penas que um fiel pode receber da Igreja. O fiel excomungado fica proibido de receber os Sacramentos e de fazer alguns atos Eclesiásticos. A excomunhão faz parte das censuras no Código de Direito Canônico, sendo uma das três mais duras e severas.

A excomunhão então é uma disciplina que tem um sentido medicinal, ou seja, uma oportunidade de um afastamento das pessoas envolvidas no aborto, da comunhão de todos os bens espirituais que a Igreja oferece, para que as mesmas repensem sua atitude, e na dimensão do arrependimento, busquem a confissão e a sanação da pena, para retornar à comunhão com o Senhor e com a Igreja: “Se reconhecemos nossos pecados, então Deus se mostra fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. (Cf. 1Jo 1, 9).


A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

Miguezim de Princesa


I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Pra falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.