Não sei quem está mais perdido no processo eleitoral: políticos ou politólogos. Estou com a impressão de que ninguém mais tem nenhuma certeza sobre o que cria decisão de voto, os políticos não sabem o que oferecer, os marqueteiros não sabem escolher as mídias, não sabem que pílula dourar. As propostas se esvaziaram, caíram na vala comum (saúde, segurança, educação), os alinhamentos se evaporaram (há alianças estaduais contrariando as federais), os nomes se repetem (as mesmas caras retocadas no photoshop).
Teorizar entre esquerdas e direitas é um exercício acadêmico de filiação a torcidas, com argumentos perdidos no passado (pré)histórico do XIX com raízes no XVIII.
Os debates televisivos não têm audiência, o público nos comícios aparece com a mesma trucagem que os exércitos nos filmes de Hollywood: multiplicação dos pães, que nem pães nem circo são mais oferecidos nas aglomerações.
Ninguém mais sabe como investir os recursos de campanha que ninguém sabe bem explicar de onde vêm, então é melhor enfiar uma boa parte em um banco remoto, para garantir algo em meio a tanta insegurança e garantir, primordialmente, o futuro dos netos - de preferência, bem longe daqui.
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| A incerteza é geral: inclusive quanto à segurança jurídica. |
As carreatas só mantiveram o distúrbio que provocam no tráfego e a poluição sonora que incomoda os desavisados.
Os blogs são lidos por quem já está com o voto alinhado, Twitter e Facebook são lócus de discurso endógeno e de piadas internas: não existe proselitismo eficaz.
A credibilidade é nula: ninguém crê nas promessas eleitorais, todos duvidam das pesquisas (exceto quando apresentem números favoráveis ao próprio voto projetado); a urna sagrada está posta sob suspeição.
Os tribunais são cortes de lacaios, ou coortes de jagodes - quando não, ambas as coisas. Ninguém confia em juízes ou sobrejuízes eleitorais, que todos têm juízo para tanto.
O pleito e seus resultados estão à borda do caus, e não me parece que seja democrático amar tanta incerteza; alguma, vá lá. Mas um sistema em que as regras não valem, já foram violadas, e não valerão: sabe-se que a justiça não será justa, periga dissolver-se mesmo em terreno de leniência e ilécebras pseudo-sociais.
Nossos vagidos teórico-especulativos são improfícuos. Eu não aposto em resultados. Vejo que estamos em meio a uma geleia geral mal aglutinada e azeda.
O caso é que ninguém mais sabe o que fazer para captar votos e poucos sabem em que alça do caixão dessa republiqueta de bananas e laranjas se seguram para escolher esse ou aquele! O resultado dos pleitos sempre fui misterioso, mas agora as urnas estão mais para bolseta de Pandora que cornucópia de esperanças.
Nessa meleca, eu quero é tratar de salvar meu traseiro infértil - assim como muitos.

