30 de setembro de 2014

A eleição mais incerta de todas

Não sei quem está mais perdido no processo eleitoral: políticos ou politólogos. Estou com a impressão de que ninguém mais tem nenhuma certeza sobre o que cria decisão de voto, os políticos não sabem o que oferecer, os marqueteiros não sabem escolher as mídias, não sabem que pílula dourar. As propostas se esvaziaram, caíram na vala comum (saúde, segurança, educação), os alinhamentos se evaporaram (há alianças estaduais contrariando as federais), os nomes se repetem (as mesmas caras retocadas no photoshop).

Teorizar entre esquerdas e direitas é um exercício acadêmico de filiação a torcidas, com argumentos perdidos no passado (pré)histórico do XIX com raízes no XVIII.
Os debates televisivos não têm audiência, o público nos comícios aparece com a mesma trucagem que os exércitos nos filmes de Hollywood: multiplicação dos pães, que nem pães nem circo são mais oferecidos nas aglomerações.
Ninguém mais sabe como investir os recursos de campanha que ninguém sabe bem explicar de onde vêm, então é melhor enfiar uma boa parte em um banco remoto, para garantir algo em meio a tanta insegurança e garantir, primordialmente, o futuro dos netos - de preferência, bem longe daqui.
O nosso líder mente melhor que o vosso!
A incerteza é geral: inclusive quanto à segurança jurídica.

As carreatas só mantiveram o distúrbio que provocam no tráfego e a poluição sonora que incomoda os desavisados.
Os blogs são lidos por quem já está com o voto alinhado, Twitter e Facebook são lócus de discurso endógeno e de piadas internas: não existe proselitismo eficaz.
A credibilidade é nula: ninguém crê nas promessas eleitorais, todos duvidam das pesquisas (exceto quando apresentem números favoráveis ao próprio voto projetado); a urna sagrada está posta sob suspeição.
Os tribunais são cortes de lacaios, ou coortes de jagodes - quando não, ambas as coisas. Ninguém confia em juízes ou sobrejuízes eleitorais, que todos têm juízo para tanto.
O pleito e seus resultados estão à borda do caus, e não me parece que seja democrático amar tanta incerteza; alguma, vá lá. Mas um sistema em que as regras não valem, já foram violadas, e não valerão: sabe-se que a justiça não será justa, periga dissolver-se mesmo em terreno de leniência e ilécebras pseudo-sociais.
Nossos vagidos teórico-especulativos são improfícuos. Eu não aposto em resultados. Vejo que estamos em meio a uma geleia geral mal aglutinada e azeda.
O caso é que ninguém mais sabe o que fazer para captar votos e poucos sabem em que alça do caixão dessa republiqueta de bananas e laranjas se seguram para escolher esse ou aquele! O resultado dos pleitos sempre fui misterioso, mas agora as urnas estão mais para bolseta de Pandora que cornucópia de esperanças.
Nessa meleca, eu quero é tratar de salvar meu traseiro infértil - assim como muitos.

15 de setembro de 2014

O mito da homofobia

Sabem o motivo da comoção geral pelo homicídio do rapazola goiano? É que ele era bonitinho. Se fosse um cafuçu rural calejado, pouco importaria se fosse gay. O país gosta dos bonitinhos e tem preconceito contra feios. Não impota às pessoas a religião alheia, não importa a etnia nem as preferências sexuais ou políticas. Mas ser feio é imperdoável.
Inclusive, ser feio é tão discriminado, que não existe nenhuma ONG em defesa dos feios, nenhum deputado feio militante, ninguém querendo criminalizar a unatractifobia.
Criminalização da homofobia.
João Antônio Donati
Viu só? Você nem sabia que existe unatractifobia, medo mórbido a pessoas feias, de tão discriminados que são os feios.
Será que a unatractifobia deveria ser criminalizada também? Afinal de contas, muita gente deve ser morta (inclusive pela polícia) só por ser feia.
Coitados dos feios, para arrumar até emprego de telemarketing eles só conseguem se entram em alguma cota de portador de deficiência física!
E cota para feio, tem? Nadinha, nenhuma! Feio não tem vez na universidade nem no serviço público, coitado. Se feio quiser vagas nessas lugares, tem que ralar o traseiro estudando até superar a feiura com méritos, o que é uma maldade.
Feio é tão discriminado que nenhum candidato pleiteia o voto dos feios! Mesmo todos os candidatos sabendo que a maioria dos eleitores é constituída de gente simplesmente feia, medianamente feia, muito feia. Tá, muitos candidatos são feios, alguns são feiíssimos, mas todos tentam se empetacar ou editar as fotos tentando esconder a feiura.
Eu até andei pensando em concorrer a algum cargo eletivo pleiteando o voto do segmento feio da população, mas logo me dei conta de que estou geneticamente impossibilitado para tal.
Em épocas de tantas pesquisas, só para concluir, alguém já viu resultados de alguns instituto que segmentasse as preferências eleitorais entre feios e bonitos? Não, eles eclipsam esse segmento da sociedade como se os feios não existissem, como se o voto dos feios não fosse importante.
À guisa de pós escrito: fica meu cumprimento e meu louvor a dona Dilma que, em se reconhecendo parte de tão relevante segmento da população, soube fazê-lo representar profusamente em seu ministério. Amém.