- Do ponto de vista fático, a candidatura de Dona Dilma é inexistente.
- Do ponto de vista fotográfico, a candidatura de dona Dilma é um filme queimado.
- Do ponto de vista literário, a candidatura de dona Dilma é uma página em branco.
- Do ponto de vista musical, a candidatura de dona Dilma é uma distonia desarmônica desafinada.
- Do ponto de vista enofílico, a candidatura de dona Dilma está buchonada.
- Do ponto de vista culinário, a candidatura de dona Dilma é uma maionese desandada.
- Do ponto de vista atômico, a candidatura de dona Dilma é espaço inter-orbital.
- Do ponto de vista energético, a candidatura de dona Dilma é um apagão secular.
- Do ponto de vista do Pelé, a candidatura de dona Dilma é uma bola murcha.
- Do ponto de vista do Dr House, a candidatura de dona Dilma é uma síndrome paraneoplástica.
- Do ponto de vista binário, a candidatura de dona Dilma é ZERO.
- Do ponto de vista cinematográfico, a candidatura de dona Dilma é o cocô do cavalo do bandido.
- Do ponto de vista do Twitter, a candidatura de dona Dilma é #fail
- Do ponto de vista revolucionário, a candidatura de dona Dilma é defecção.
- Do bonto de viste leninista, a candidatura de dona Dilma é bequeno-burguesa.
- Do ponto de vista marxista, a candidatura de dona Dilma é historicismo.
- Do ponto de vista existencialista, a candidatura de dona Dilma é o nada.
- Do ponto de vista fescenino, a candidatura de dona Dilma é uma foda empatada.
- Do ponto de vista escatológico, a candidatura de dona Dilma é uma merda.
- Do ponto de vista geológico, a candidatura de dona Dilma é uma fossa abissal.
- Do ponto de vista teológico, a candidatura de dona Dilma é a anemocria do báratro.
- Do ponto de vista dos gases, a canditatura de dona Dilma é nobre (não combina MESMO).
- Do ponto de vista citológico, a canditatura de dona Dilma é um vacúolo.
- Do ponto de vista penal, dona Dilma deveria ser condenada a NÃO prestar ser viços à comunidade.
- Do ponto de vista filosófico, a candidatura de dona Dilma é acatalepsia.
- Do ponto de vista cultural, a candidatura de dona Dilma é burra.
- Do ponto de vista moral, a candidatura de dona Dilma é pecado.
- Do ponto de vista indígena, a candidatura de dona Dilma é tapera.
- Do ponto de vista arquitetônico, a candidatura de dona Dilma é uma ruína.
- Do ponte de vista histórico, a candidatura de dona Dilma é anacrônica.
- Do ponto de vista obstétrico, a candidatura de dona Dilma é ectópica.
- Do ponto de vista urológico, a candidatura de dona Dilma é uma disfunção erétil.
- Do ponto de vista prisional, a candidatura de dona Dilma é uma evasão frustrada.
- Do ponto de vista nomotético, a candidatura de dona Dilma é um projeto inadmissível.
- Do ponto de vista social, a candidatura de dona Dilma é um vício extirpável.
- Do ponto de vista bancário, a candidatura de dona Dilma é um cheuque pré-datado apócrifo.
- Do ponto de vista do dicionário, a candidatura de dona Dilma é uma errata.
- Do ponto de vista da mídia, a candidatura de dona Dilma é um bunda-lelê.
- Do ponto de vista gráfico, a candidatura de dona Dilma é um empastelamento.
Romances históricos, poesia, crônica, crítica, sátira, humor, política e análise! Escrivinhações de um polímata.
15 de dezembro de 2009
Pontos de vista sobre a candidatura de dona Dilma
6 de dezembro de 2009
Pluralismo

Pluralismo é um conceito interessante, normalmente restrito a cientistas políticos; de um modo geral, as pessoas expressam as ideias inerentes ao conceito de pluralismo com a palavra democracia. Para nós, politólogos, democracia - qualquer que seja o entendimento do que ela seja - deveria se limitar a definir governos, formas de administração, gestão e participação no Estado ou seus corpos.
Pluralismo é mais amplo, e compreende a inserção de grupos e pessoas, de formas mais ou menos equalitárias em mercados mais diversificados que o da gestão pública.
Estou sendo levado a redigir este post em função de três anúncios que encontrei há pouco no Twitter:
Pluralismo é mais amplo, e compreende a inserção de grupos e pessoas, de formas mais ou menos equalitárias em mercados mais diversificados que o da gestão pública.
Estou sendo levado a redigir este post em função de três anúncios que encontrei há pouco no Twitter:
- Gomes Pintor: Gomes pintor há18 anos presto serviços de pintura em São Paulo e interior, com referências, pintura fina,grafiato,marmorato,texturas rusticas,(11) 92429461
- Lins Imóveis: Lins Imóveis, imobiliária, consultoria em venda de lançamentos e casas, sobrados, comerciais, galpões, terrenos, flats, lofts, sítios, fazendas e outros.
- Francisco Barreira: Jornalista especializado em economia, sociologia e meio ambiente. Foi correspondente da Folha de S. Paulo em Buenos Aires.
Na verdade, não são anúncios. São descrições dos respectivos perfis. Mas aqui me apareceram como "New Followers" - e os textos que reproduzi vieram em destaque. Vou colocar meu texto correspondente, para comparações:
- PAthayde: Polímata que vive de brisas e arte. Historiador e cientista político proforma.
Os três primeiros podem ser visto claramente como comerciais, profissionais. São diretos, precisos, curtos como aquela mídia exige. Não são anúncios, em algum sentido formal que essa expressão possa ter, mas são mensagens claramente vinculadas às atividades profissionais, visam a apresentação dos interessados ao mercado.
Pluralismo é isso, na mesma mídia um pintor de paredes, um jornalista e uma imobiliária. Competem em igualdade de possibilidades quanto ao acesso à mídia, quanto ao custo da divulgação e quanto à universalidade do alcance da mensagem. As qualidades do pintor, do jornalista e da imobiliária são questões externas, não vêm ao caso.
Minha apresentação é um pouco diferente: não apresento nenhuma proposta ao mercado, diretamente - tenho outro Twitter pra vender meu peixe. Aqui eu me apresento como pessoa, como cidadão que não está buscando meio de vida: se vivo de brisas ou de arte, só procuro aqui vento fresco e apreciação estética. Historiador e cientista político são informações que se referem a bancos de escola que lustrei, "proforma" diz que não tenho História nem Política pra vender. Claro que procurei dizer em poucas palavras que, lustrando bancos de escola, me tornei lustado; mas a mensagem também tem implícita que não sou ilustre.
O pintor é direto: 18 anos de mercado, telefone tal, essa é aquela técnicas. O jornalista é diretíssimo: escrevo sobre as coisas da moda e fui correspondente do maior jornal do país em uma cidade bacana, então sou foda. A imobiliária é mais que objetiva, faz a lista do estoque.
Mas o ponto que quero ressaltar é que os três anúncios agora me aparecem na mesma página, nenhum teve mais espaço que o outro, nenhum custou mais que outro (tá, nenhum deles vai me prestar serviços) mas vivemos em um mundo ligeiramente diferente quando essa igualdade de acessos à mídia se faz possível. Uma empresa, um intelectual e um operário especializado disputam o mesmo espaço de visibilidade em absoluta igualdade, competindo com as armas que têm para se apresentar. Interessante que, cada um vendendo seu peixe, cada um diferentemente preparado para uso da língua para acesso ao mercado, todos foram igualmente eficientes em suas mensagens. A conclusão é que o próprio acesso a mídia é andragógico (educativo) e capacita seus usuários. Nada mais pluralista que esses exemplos apontados, igualdade de acessos e igual eficiência em seu uso. Igualdade de eficiência no uso obtida pelo uso!
A internet, o Twitter, podem até ser (e creio que sejam) fatores de incremento da democracia. Sobretudo têm sido elementos de exponenciação da pluralidade. Pluralismo político, pluralismo mercadológico e pluralismo social, religioso, estético e todos os mais.
Pluralismo é isso, na mesma mídia um pintor de paredes, um jornalista e uma imobiliária. Competem em igualdade de possibilidades quanto ao acesso à mídia, quanto ao custo da divulgação e quanto à universalidade do alcance da mensagem. As qualidades do pintor, do jornalista e da imobiliária são questões externas, não vêm ao caso.
Minha apresentação é um pouco diferente: não apresento nenhuma proposta ao mercado, diretamente - tenho outro Twitter pra vender meu peixe. Aqui eu me apresento como pessoa, como cidadão que não está buscando meio de vida: se vivo de brisas ou de arte, só procuro aqui vento fresco e apreciação estética. Historiador e cientista político são informações que se referem a bancos de escola que lustrei, "proforma" diz que não tenho História nem Política pra vender. Claro que procurei dizer em poucas palavras que, lustrando bancos de escola, me tornei lustado; mas a mensagem também tem implícita que não sou ilustre.
O pintor é direto: 18 anos de mercado, telefone tal, essa é aquela técnicas. O jornalista é diretíssimo: escrevo sobre as coisas da moda e fui correspondente do maior jornal do país em uma cidade bacana, então sou foda. A imobiliária é mais que objetiva, faz a lista do estoque.
Mas o ponto que quero ressaltar é que os três anúncios agora me aparecem na mesma página, nenhum teve mais espaço que o outro, nenhum custou mais que outro (tá, nenhum deles vai me prestar serviços) mas vivemos em um mundo ligeiramente diferente quando essa igualdade de acessos à mídia se faz possível. Uma empresa, um intelectual e um operário especializado disputam o mesmo espaço de visibilidade em absoluta igualdade, competindo com as armas que têm para se apresentar. Interessante que, cada um vendendo seu peixe, cada um diferentemente preparado para uso da língua para acesso ao mercado, todos foram igualmente eficientes em suas mensagens. A conclusão é que o próprio acesso a mídia é andragógico (educativo) e capacita seus usuários. Nada mais pluralista que esses exemplos apontados, igualdade de acessos e igual eficiência em seu uso. Igualdade de eficiência no uso obtida pelo uso!
A internet, o Twitter, podem até ser (e creio que sejam) fatores de incremento da democracia. Sobretudo têm sido elementos de exponenciação da pluralidade. Pluralismo político, pluralismo mercadológico e pluralismo social, religioso, estético e todos os mais.
30 de novembro de 2009
Bibliografia - Públio Athayde
Bibliografia - ATHAYDE, Públio. O Brasil na nova ordem política e social, Jus Navigandi. Teresina, ano 4, n. 46, out. 2000.[2] Versões disponíveis no Google Acadêmico.[3]
- ATHAYDE, Públio. Manual para redação acadêmica. Belo Horizonte: Editora Keimelion Ltda, 2002. v. 1. 200 p.[4] Versão 2003: Florianópolis: Bookess Editora, 2009.[5]
- ATHAYDE, Públio. Manual Keimelion 2010 para redação acadêmica Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009. [6]
- ATHAYDE, Públio. Sonetos para ser entendido. eBooksbrasil, 1998. Versões de 2001, disponíveis em quatro formatos.[7] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009.[8]
- ATHAYDE, Públio. Dirceu - Sonetos Bem(e)Dito(s). eBoooksbrasil, 1998. Versões de 2001, disponíveis em quatro formatos.[9] 2a ed. Florianópolis: Bookess Editora, 2009. [10] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009. [11]
- ATHAYDE, Públio. Camonianas, sonetos. eBooksbrasil, 1998. Versões de 2001, disponíveis em quatro formatos.[12] 2a ed. Florianópolis: Bookess Editora, 2009. [13] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009.[14]
- ATHAYDE, Públio. Articulando; coletânea. Florianópolis: Bookess Editora, 2009.[15] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009. [16]
- ATHAYDE, Públio. As Quatro Estações: Mimeses. Florianópolis: Bookess Editora, 2009.[17] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009.[18]
- ATHAYDE, Públio. Marília & Dirceu; teatro. Florianópolis: Bookess Editora, 2009.[19] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009.[20]
- ATHAYDE, Públio. Confissões; sonetos. Florianópolis: Bookess Editora, 2009.[21] Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009.[22]
- ATHAYDE, Públio. Eu Ouro Preto - Tópicos de História: Arquitetura, Música, Documento, Conservação . Belo Horizonte / São Paulo: Editora Keimelion / Clube de Autores, 2009.[23]
- Fonte: Wikipédia.
23 de novembro de 2009
Segundo Memorial do ICHS

30º Aniversário do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (1979 - 2009) 11 a 13 de novembro de 2009 em Mariana/MG
O Instituto de Ciências Humanas e Sociais / ICHS da Universidade Federal de Ouro Preto / UFOP completou, em novembro de 2009, 30 anos de sua instalação no antigo prédio do Seminário Menor de Nossa Senhora da Boa Morte, em Mariana/MG.
Esta versão é resumida, para caber nos 10min do YouTube; o arquivo da versão completa do vídeo está disponível em:
http://rapidshare.com/files/309315170/I
Fica lá por 90 dias; baixem e gravem logo.
29 de outubro de 2009
Patrimônio, colecionadores e museu

por André Legos,
estudante de Museologia
na UFOP
O homem atua no espaço. Em todos os processos e fenômenos em que participa, ele interfere diretamente nas estruturas do meio, nos objetos que o compõe, e nas as práticas por ele realizadas nesse meio. Assim, nesses processos e transformações, a sociedade escolhe, conscientemente ou não, as ideias e práticas a serem preservadas em sua memória. Uma maneira de manter a memória é preservar os objetos e as ideias que a documentam. Esses objetos, enquanto vestígios, são possuidores de uma marca perceptível aos sentidos, pois tudo que o homem diz, escreve, fabrica ou altera pode e deve informar sobre ele (Bloch, 2001). Consequentemente, esses objetos se tornam coleção ou acervo, eles perdem o valor de uso, e passam a ter valor por essa capacidade informativa, suas características invisíveis, que o irão classificá-los como semióforos (Pomian, 1984).estudante de Museologia
na UFOP
Diversos aspectos são abordados na prática de colecionar objetos. A constituição da coleção parte do pressuposto de que cada colecionador tem sua própria visão a respeito do que é acumulado e preservado, podendo então ser movido pelo ego, por uma demonstração do status social, acúmulo de riquezas, demonstração de conhecimento, por afeto ou preservação da memória. Tais motivos são fatores determinantes ao resultado da coleção. A posse viabiliza todas essas sensações, seja pelo gosto do próprio colecionador ou pelo valor comercial e cultural do objeto. Assim, possuir ou manter objetos seria, na verdade, materializar a própria personalidade, uma vez que existe uma necessidade básica, involuntária e afetiva dos seres humanos em se preservar a memória transportando para o objeto em si, um valor único, original, autêntico e insubstituível. O ato de colecionar implica em um ato de preservação (Pomian, 1984), por vezes o colecionador detém e preserva objetos que possuem significados na memória coletiva. Objetos que representam a memória coletiva, “um campo discursivo de força em que as memórias individuais se configuram” (Albuquerque Junior, 2007), fazem parte do imaginário de indivíduos, pois suas memórias individuais se relacionam com tais objetos. Assim, os objetos adquirem valor na cultura e são preservados. Na sociedade contemporânea o papel da preservação fica a cargo de instituições museais e veiculam a idéia de que tais objetos pertencem a todos, mas a idéia de pertencimento coletivo parece equivocada quando se nota a importância social de algumas coleções privadas. E por essa importância da coleção, que o colecionador passa a ter outra representação na sociedade.
O colecionador, ao possuir uma coleção que tenha correspondência na memória coletiva, está em posição privilegiada, para muitos colecionadores a plenitude de uma coleção só é atingida no momento em que essa pode ser admirada por um maior número de pessoas (Almeida, 2001), o museu enquanto instituição de preservação da memória, seria o espaço mais adequado a legitimar o valor da coleção e, por consequência, a importância desse colecionador para sociedade, o que justifica as doações de coleções particulares. Segundo Pomian (1984), a doação voluntária para o Estado sempre implica em troca de interesses que se dá mais no campo simbólico que no econômico. A figura do doador, seja o organizador da coleção ou seus herdeiros, estará, a partir de então, reconhecidamente atrelada à própria coleção, reafirmando seu papel social, seus gostos requintados e sua contribuição para proteção do patrimônio coletivo. Assim, coleção e colecionador passam a ser uma coisa só, tornando a admiração pelos objetos simultaneamente um ato de admiração daquele que os adquiriu e organizou (Almeida, 2001).
ALBUQUERQUE JÚNIOR, D. M. (2007). Violar memórias e gestar a história: a abordgem de uma problemática fecunda que torna a tarefa do historiador um parto difícil. In: D. M. Júnior, História a arte de invertar o passado (pp. 199-209). Bauru: Edusc.
ALMEIDA, C. A. (2001). O "colecionismo ilustrado" na gênese dos museus contemporâneos. In: M. H. Nacional, Anais Museu Histórico Nacional (pp. 123 - 140). Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional.
BLOCH, M. (2001). Apologia da história, ou, O ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.
POMIAN, K. (1984). Coleção. In: Enciclopédia Einaudi (Vol. I, pp. 51-86). Lisboa: Imprensa Nacional.
11 de outubro de 2009
Medida Procrastinatória

Assim como existe a Medida Provisória e ela devia atender necessidades de urgência e relevância, deveria haver uma Medida Procrastinatória para atender os casos irrelevantes e delatáveis. A Medida Procrastinatória poderia ter sido inaugurada com louvor se aplicada ao Acordo Ortográfico. Perguntaram-me em uma discussão de linguistas qual a pior parte dele e respondi que seria quinhão do erário dilapidado em caso tão desimportante.
A prodigalidade presidencial e prolatar e posteriormente promulgar as provisórias medidas só irrita menos que a ressonância de seis palavras cultas começadas em p. Os congressistas, juristas e politólogos são unânimes em reclamar que o Congresso não legisla por a pauta estar sempre emperrada pelas Medidas Provisórias
A prodigalidade presidencial e prolatar e posteriormente promulgar as provisórias medidas só irrita menos que a ressonância de seis palavras cultas começadas em p. Os congressistas, juristas e politólogos são unânimes em reclamar que o Congresso não legisla por a pauta estar sempre emperrada pelas Medidas Provisórias
Considerando
Já é obvio ululante que a mídia pôde catapultar a pré-candidata petista aos pináculos da pesquisa eleitoral, deflagrando prematuramente o processo da sucessão presidencial; destarte, inseridos prematuramente no contexto maniqueísta de bem e mal, caberá ao eleitorado, cônscio de suas responsabilidades cívicas, não incorrer em erro gritante de consequências imprevisíveis, mas sufragar uma postulante alicerçada com base a apresentação do chefe do Executivo, conquanto biografia pregressa não tem histórico de vitórias eleitorais anteriores.
Não se pode prever, assim de improviso, uma vitória esmagadora da candidata tão somente por estar atrelada firmemente ao líder carismático do PT; é obvio que ambos fizeram por merecer a posição que ocupam, com direito à posição que têm nas pesquisas. Se não é tão calorosa a recepção que a candidata mineira tem tido, apresentada até o momento como estrondoso sucesso de seus marqueteiros copartidários e importados do exterior, pode surgir sempre outro candidato correndo por fora, ou pelo lado adjacente, e que também se coloque em sintonia com os corações e mentes do eleitorado pelas vias ordinárias do mesmo líder operário.
O eleitor, via de regra, não está vislumbrando nenhuma luz no fim do túnel, e ainda tem em mente o prejuízo incalculável produzido pelo voto ao último salvador da pátria, Collor; não que estejamos agora no fundo do poço, como a Honduras ou Haiti, nem tampouco na situação de inflação galopante de consequências imprevisíveis de décadas passadas, mas nem por isso podemos tomar uma decisão eleitoral a toque de caixa, chegar a um denominador comum para preencher a lacuna abissal que será gerada pelo fim do mandado de Lula, de atuação irretocável; esse mister será fonte inesgotável de debates acalorados das lideranças, que se verão na contingência de trocar muitas figurinhas antes de poderem respirar aliviados e fazer a colocação definitiva dos nomes para o sufrágio.
Nova vertente inserida no contexto sucessório, a resolução tirada há tempos atrás pelo TSE, a partir da reivindicação de um dos partidos, limita a possibilidade da multiplicidade de coalizões, unificando-as em nível nacional. A decisão proferida está provocando ruído ensurdecedor de pesadas críticas por parte dos parlamentares que se sentem prejudicados em seus direitos adquiridos de conluio. O egrégio tribunal pôde assim abrir com chave de ouro sua interveniência no pleito, mesmo sob duras críticas dos parlamentares.
A candidata, enquanto mulher, pode agora atirar duras farpas àquela corte pela decisão que está coberta de requintes de crueldade chauvinista. O ataque fulminante daqueles magistrados não visava certamente a candidata, nem pretendia impedi-la de fazer uso de sua incalculável herança partidária e recursos do erário público na campanha, afinal isso não seria mesmo fator decisivo, sabe-se que a eleição é sempre uma caixa de surpresas, e o equipamento sofisticado de avançada tecnologia representado pela urna eletrônica, se for equipado com a plataforma eleitoral XP, certamente será indefectível.
A carreira brilhante da candidata poderá, não obstante, ser coroada de êxito, se ninguém mais, correndo por fora, deflagrar um pavoroso incêndio nos cartórios eleitorais e nas juntas de apuração, tal como o causado pela irreparável perda a nível democrático da decisão do TSE.
Cumpre-nos debelar as chamas do retrocesso político daquele tribunal, literalmente tomado de entulho autoritário no uso da internet e esbulho posserório no caso do MST, e fazer coroar de êxito a candidatura petista, outorgando um caloroso abraço às instituições progressistas sem denegrir familiares inconsoláveis nem se deixar trair por emoções visíveis.
Certamente não seria demais quebrar o protocolo e intimar a colenda corte a rever suas deliberações eivadas de equívocos. Há de haver uma forma de aparar essas arestas entre o direito e a democracia, calorosos aplausos hão de substituir as estrepitosas vaias que se fazem ouvir àquele tribunal no presente momento, já não obsta a campanha prévia com eficácia impeditiva.
Não se pode prever, assim de improviso, uma vitória esmagadora da candidata tão somente por estar atrelada firmemente ao líder carismático do PT; é obvio que ambos fizeram por merecer a posição que ocupam, com direito à posição que têm nas pesquisas. Se não é tão calorosa a recepção que a candidata mineira tem tido, apresentada até o momento como estrondoso sucesso de seus marqueteiros copartidários e importados do exterior, pode surgir sempre outro candidato correndo por fora, ou pelo lado adjacente, e que também se coloque em sintonia com os corações e mentes do eleitorado pelas vias ordinárias do mesmo líder operário.
O eleitor, via de regra, não está vislumbrando nenhuma luz no fim do túnel, e ainda tem em mente o prejuízo incalculável produzido pelo voto ao último salvador da pátria, Collor; não que estejamos agora no fundo do poço, como a Honduras ou Haiti, nem tampouco na situação de inflação galopante de consequências imprevisíveis de décadas passadas, mas nem por isso podemos tomar uma decisão eleitoral a toque de caixa, chegar a um denominador comum para preencher a lacuna abissal que será gerada pelo fim do mandado de Lula, de atuação irretocável; esse mister será fonte inesgotável de debates acalorados das lideranças, que se verão na contingência de trocar muitas figurinhas antes de poderem respirar aliviados e fazer a colocação definitiva dos nomes para o sufrágio.
Nova vertente inserida no contexto sucessório, a resolução tirada há tempos atrás pelo TSE, a partir da reivindicação de um dos partidos, limita a possibilidade da multiplicidade de coalizões, unificando-as em nível nacional. A decisão proferida está provocando ruído ensurdecedor de pesadas críticas por parte dos parlamentares que se sentem prejudicados em seus direitos adquiridos de conluio. O egrégio tribunal pôde assim abrir com chave de ouro sua interveniência no pleito, mesmo sob duras críticas dos parlamentares.
A candidata, enquanto mulher, pode agora atirar duras farpas àquela corte pela decisão que está coberta de requintes de crueldade chauvinista. O ataque fulminante daqueles magistrados não visava certamente a candidata, nem pretendia impedi-la de fazer uso de sua incalculável herança partidária e recursos do erário público na campanha, afinal isso não seria mesmo fator decisivo, sabe-se que a eleição é sempre uma caixa de surpresas, e o equipamento sofisticado de avançada tecnologia representado pela urna eletrônica, se for equipado com a plataforma eleitoral XP, certamente será indefectível.
A carreira brilhante da candidata poderá, não obstante, ser coroada de êxito, se ninguém mais, correndo por fora, deflagrar um pavoroso incêndio nos cartórios eleitorais e nas juntas de apuração, tal como o causado pela irreparável perda a nível democrático da decisão do TSE.
Cumpre-nos debelar as chamas do retrocesso político daquele tribunal, literalmente tomado de entulho autoritário no uso da internet e esbulho posserório no caso do MST, e fazer coroar de êxito a candidatura petista, outorgando um caloroso abraço às instituições progressistas sem denegrir familiares inconsoláveis nem se deixar trair por emoções visíveis.
Certamente não seria demais quebrar o protocolo e intimar a colenda corte a rever suas deliberações eivadas de equívocos. Há de haver uma forma de aparar essas arestas entre o direito e a democracia, calorosos aplausos hão de substituir as estrepitosas vaias que se fazem ouvir àquele tribunal no presente momento, já não obsta a campanha prévia com eficácia impeditiva.
Articulando
Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem mais profundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos.
10 de outubro de 2009
Significação

Para representar as metáforas emuladas são levantados os signos mais representativos. As estações do ano, por exemplo: uma cena ou paisagem situadas em estação do ano bem determinada geralmente correspondem ao estado de alma do sonhador. As cenas alegres acontecem quase sempre na primavera ou verão, os sonhos de renascimento na primavera. Não obstante, com maior freqüência se tem consciência do elemento característico da estação (por exemplo: sol muito forte, brotos nas árvores ou neve que cai) antes da estação em conjunto. Na interpretação, há que se ter em conta tanto o elemento subjetivo dominante quanto a estação em si mesma. Tanto os signos quanto os significados se codificaram em representações metafóricas e repletas de emulações transversais.
Sendo a poesia visual montagem de signos codificados e abstratos, ela é construída (e interpretada) em referência às convenções associadas ao gênero polímnico, utilizando meio específico de comunicação. Embora existam discrepâncias em relação à possibilidade de se dizer a mesma coisa em dois ou mais sistemas semióticos que utilizem unidades semânticas diferentes, e sendo consciente das limitações que tal diferença estabelece em relação aos possíveis códigos utilizados , a proposta é aproveitar favoravelmente tais fatos. Se os diversos sistemas semióticos fossem sinônimos, então a proposta iconográfica da poesia visual não faria sentido nenhum.
As teorias que lidam com a construção dos sentidos na relação entre leitores incluem opções entre: objetivistas, para quais o significado está inteiramente incorporado ao texto (sendo então o significado simplesmente transmitido ao leitor); construtivistas, para quais o significado é construído na interação entre texto e leitor; terminando nos subjetivistas, para quais o significado é recriado segundo interpretação do leitor. Isso pode ser resumido em duas tendências gerais: as formais e as dialogais. Ao se estabelecer o texto iconográfico, definem-se os elementos semânticos (e entre eles os não-verbais) a serem aproveitados em função das suas possibilidades narrativas (com as suas potencialidades conotativas, designativas, simbólicas, indicativas ou icônicas), com o objetivo de entabular comunicação direta com o leitor. Estabeleceram-se os códigos e subcódigos que organizam o sistema de signos textuais, procurando conscientemente refletir valores, atitudes, crenças, paradigmas e práticas, a fim de que as relações entre eles gerassem o sentido desejado nos leitores, mesmos os de diversas culturas e diferentes graus de erudição. Nesse sentido, observa-se a necessidade de ultrapassar os elementos comumente aceitos e gerais no percurso inventivo. Procura-se incorporar algum elemento conectado às visões autorais de mundo. O desafio é grande. É daí a idéia de lidar com algumas das questões humanas mais culturalmente inquietantes, entre que se contam sexo, morte, origem da vida, existência de Deus (ou de algum tipo de ser superior), o Além (da morte, da terra, a vida extraterrestre). Em termos mais gerais e usando terminologia mítica e psicanalítica: a resultante da relação entre Eros e Tanatos, entre a invenção e a destruição.
Sendo a poesia visual montagem de signos codificados e abstratos, ela é construída (e interpretada) em referência às convenções associadas ao gênero polímnico, utilizando meio específico de comunicação. Embora existam discrepâncias em relação à possibilidade de se dizer a mesma coisa em dois ou mais sistemas semióticos que utilizem unidades semânticas diferentes, e sendo consciente das limitações que tal diferença estabelece em relação aos possíveis códigos utilizados , a proposta é aproveitar favoravelmente tais fatos. Se os diversos sistemas semióticos fossem sinônimos, então a proposta iconográfica da poesia visual não faria sentido nenhum.
As teorias que lidam com a construção dos sentidos na relação entre leitores incluem opções entre: objetivistas, para quais o significado está inteiramente incorporado ao texto (sendo então o significado simplesmente transmitido ao leitor); construtivistas, para quais o significado é construído na interação entre texto e leitor; terminando nos subjetivistas, para quais o significado é recriado segundo interpretação do leitor. Isso pode ser resumido em duas tendências gerais: as formais e as dialogais. Ao se estabelecer o texto iconográfico, definem-se os elementos semânticos (e entre eles os não-verbais) a serem aproveitados em função das suas possibilidades narrativas (com as suas potencialidades conotativas, designativas, simbólicas, indicativas ou icônicas), com o objetivo de entabular comunicação direta com o leitor. Estabeleceram-se os códigos e subcódigos que organizam o sistema de signos textuais, procurando conscientemente refletir valores, atitudes, crenças, paradigmas e práticas, a fim de que as relações entre eles gerassem o sentido desejado nos leitores, mesmos os de diversas culturas e diferentes graus de erudição. Nesse sentido, observa-se a necessidade de ultrapassar os elementos comumente aceitos e gerais no percurso inventivo. Procura-se incorporar algum elemento conectado às visões autorais de mundo. O desafio é grande. É daí a idéia de lidar com algumas das questões humanas mais culturalmente inquietantes, entre que se contam sexo, morte, origem da vida, existência de Deus (ou de algum tipo de ser superior), o Além (da morte, da terra, a vida extraterrestre). Em termos mais gerais e usando terminologia mítica e psicanalítica: a resultante da relação entre Eros e Tanatos, entre a invenção e a destruição.
Articulando
Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem mais profundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos.
América Latina, século XXI

Há 30 anos havia ditaduras em praticamente toda a América Latina; há 10 anos a AL era amplamente democrática. Que temos agora? Bolivarismo. O que é o bolivarismo? A incógnita que está se delineando. Passo a passo, os regimes latinoamericanos vão se distanciando das liberdades civis. É bem claro que a direção dos regimes na AL é na contramão da história. Estamos em franco retrocesso político e cultural. Curiosamente, as populações dos diferentes países na AL estão vendo os regimes autoritários ser implantados e ficam inertes. As diferentes facetas de autoritarismo, nenhuma delas tem eixo ideológico nítido. O continente virou um caleidoscópio de interesses egoístas. Mas as diferentes formas de restrição à liberdade que estão em curso na AL são orquestradas pelos governantes dos vários países. Em meio a diferentes justificativas, múltiplos artifícios e variados meios de pressão e repressão, o bolivarismo vai apresentando sua face. A incógnita que temos chamado de bolivarismo tem denominadores comuns: restrições à imprensa, corrupção dos parlamentos, incoerência ideológica. A mais clara ação no sentido de redução das liberdades democráticas são as restrições à alternância no poder. Como isso se dá na AL? Diferentemente de outra época, em que a quartelada era o caminho do golpe, hoje o curso e recurso institucional é a via do autoritarismo. Em cada país na Sulamérica se usa um artifício para continuar no poder, alternância entre cônjuges, plebiscitos, reformas constitucionais. As brechas no direito são o espaço da infiltração do autoritarismo desideologizado que o bolivarismo representa. O pluralismo é a vítima. Pluralismo significa a conjugação, a atenção à somatória de interesses. Dar voz e vez a todos os grupos. Isso que se tenta anular na AL. Pluralismo é alternância no poder e liberdade de imprensa. Eleições livres e competitivas. Tribunais independentes. Estamos perdendo isso.
Este artigo foi inteiramente tuitado, composto diretamente no Twitter. Esta versão contém apenas pequenas revisões como diferença em relação ao conteúdo original.
Articulando
Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem mais profundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos.
26 de setembro de 2009
Vencer a eleição

Engraçado como as pessoas “torcem” em política com a mesma irracionalidade que no futebol ou no turfe! Um pouco menos paixão faria bem. Ano que vem vamos às urnas, todos sabem, e as articulações estão em curso. Para a maioria, o projeto é “vencer a eleição”. Esse projeto, essa meta, existe para os concorrentes no pleito ou para muitos eleitores, para os quais o critério consiste em “adivinhar” quem vai se eleger e sufragar aquele nome, como uma aposta. À aposta se segue a “torcida” para que o resultado corresponda à pule (bilhete de aposta; boleto). Muitas vezes a aposta e torcida antecedem o voto, quando o eleitor adere à candidatura ou partido, exteriorizando seu alinhamento ou mantendo-se reservado.
A grande confusão está no conceito de vencer a eleição. Na maior parte das vezes as pessoas entendem “vencer a eleição” exclusivamente como “ser eleito”. Um pouco como vencer a corrida ou a partida significa exclusivamente derrotar um ou mais adversários. Mas vitórias eleitorais são de natureza diferente. Participar de uma eleição, concorrendo nela, tem mais de um objetivo – principalmente quando a possibilidade de eleição é remota ou nula. Aderir a candidaturas, participando ativamente delas, quando a eleição é inviável é da mesma natureza.

Uma vitória eleitoral pode ser simplesmente a divulgação de um projeto, a consolidação de um partido, a afirmação de uma ideia. Vejamos alguns exemplos de grandes vitórias eleitorais sem eleição: do general Euler Monteiro ninguém se lembra, mas ele foi candidato a presidente da República em 1978 – sem nenhuma chance no Colégio Eleitoral, mas marcou a presença da oposição; Ulisses Guimarães, também concorreu no Colégio e venceu perdendo. Mais perto de nós? Fantástica a vitória de Lula em sua primeira candidatura à presidência – mesmo que o eleito tenha sido Collor, o estupendo resultado obtido consolidou o partido dele e a ideia de que um operário não estava fora do páreo. Somente na quarta e quinta candidaturas o sufrágio conduziu Lula ao Governo, mas talvez a vitória tenha sido maior na primeira – se considerarmos o ineditismo da postulação e a dimensão da concorrência; por esses dois últimos critérios, quando foi eleito, Lula enfrentou candidatos mais pífios e já era contumaz em pleitos nacionais. Exemplificando mais: alguns se lembram do fabuloso resultado do Dr. Enéias quando, do nada, surgiu em nossas telinhas rugindo: –“Meu nome é Enéias” e acolheu significativa votação, a maioria de protesto, mas que constituiu uma vitória do marketing e que, posteriormente, resultou na enxurrada de votos para deputado que fizeram daquele médico a locomotiva do partido dele na Câmara. No último pleito nacional, a grande vitoriosa foi Heloisa Helena; advinda do ostracismo de seu partido original, aquela senhora levantou milhões de votos e viabilizou seu novo partido.
Postos esses exemplos históricos, imaginemos o que pode significar aderir a candidaturas, sem “torcer” – no sentido de apostar em eleição, ou mesmo no sentido irracional de desconsiderar as alternativas como prováveis, possíveis, ou mais viáveis. Postular uma vitória nas urnas pode ser bem diferente de propugnar por um cargo, e tem sido em aparentes derrotas que se construíram grandes biografias, coroadas muitas vezes de êxitos eletivos posteriores.
Na via inversa, muitos são os candidatos que, inadvertidamente alçados ao cargo que postularam, transformam em fragorosa derrota, algumas vezes coberta de escárnio, a ascensão pelo voto. Nesse rol, para ficarmos na esfera da Presidência da República, incluamos Jânio Quadros e Collor, que colecionam, em suas facetas biográficas convergentes, o fato de terem sido defenestrados por forças claras ou ocultas.
Claro que há grandes vitórias que culminam em diplomação. Aqui temos o exemplo de Tancredo Neves, indiretamente eleito, mas soberanamente ungido pela vontade de reconhecida maioria dentre os cidadãos. Sua ausência na posse deve ter sido a maior das frustrações nacionais. A eleição de Obama tem a mesma característica, é uma vitória, conquanto não por outros fatores, no mínimo pelo significado de alguém com sua etnia naquele cargo. A posse do atual presidente americano representa, subsidiariamente, a revisão dos valores de seu antecessor – e aqui está um dos grandes benefícios da alternância.
A vitória eleitoral pode ser expressa em números que se diluem na expectativa. Qualquer desconhecido terá facilmente 100.000 votos para presidente da República. O que não significará necessariamente vitória, mas somente que há aquele mesmo número de esquizoides ou empatias. Se eu obtivesse 10.000 para deputado em qualquer dos cinco maiores colégios do Brasil, seria um feito – pois sou ninguém – e teria somado á uma legenda um número relevante, seria uma vitória para mim, que nem sequer tenho pretensão nesse sentido – mas não seria eleito.
Torcer por uma vitória eleitoral é torcer para que uma ideia floresça, que um nome desponte, ou que algo seja passado a limpo. Mas torcer não precisa ser o ato irracional que o verbo expressa em sentido próprio, mas que bem representa a atitude de quem se desespera por um resultado desportivo. Torcer por uma vitória eleitoral pode ser elencar as prioridades, por critério pessoal ou coletivo, e implementar ações racionais que produzam efeito no sentido pretendido.
Para nossas eleições presidenciais do ano que vem temos muitos postulantes alinhados. Bem poucos poderão vencer. Começando pela candidata da situação, dona Dilma não ganha, nem leva: se ela for eleita, a vitória é do Lula (e será uma vitória tão grande quanto sua primeira derrota – posta é remota a possibilidade de essa candidatura prosperar). As outras senhoras, Heloisa Helena e Marina da Silva, não vejo como esse palanque inglório lhes venha acrescentar à biografia uma lauda que seja, quanto menos qualquer láurea. Ciro já nem tem mais a idade aventureira nem argumento que lhe emprestem maior significado nessa concorrência. O azar da disputa pode fazer dele qualquer coisa, se não escorregar com a palavra mais que na outra vez. O azar da disputa provavelmente não fará dele nada mais. José Serra teve sua vez no palanque nacional, não acrescentou nada – foi uma candidatura meramente formal, pra cumprir a tabela e dar posse ao concorrente. Ele poderá trazer algo de novo agora? Certamente não. Suas realizações no governo paulista não fazem dele nenhum expoente pelo país afora. Essa candidatura, mesmo eu admitindo nela a possibilidade de prosperar, não será uma vitória, pois terá sempre o sabor de regresso ao período FHC no que ele tinha de menos interessante: a falta de audácia e criatividade.
Os partidos pequenos surgirão com nomes mais ou menos desconhecidos, aqueles que, despreparados para a edilidade de qualquer capital, pleiteiam a magistratura suprema. Não haverá surpresas por esse lado.
Não sei quem vai ser eleito presidente da República em 2010, mas só vejo um postulante apto a vencer nas eleições: Aécio Neves. Essa candidatura, caso se concretize, tem a força da juventude do governador de Minas conjugada à inigualável experiência legislativa e de dois mandatos consecutivos no governo de seu estado. Aécio, eleito presidente, seria a sublimação da frustração da posse de seu avô, mas, sobretudo, seria o aporte de uma filosofia política alicerçada na ética posta à prova por gerações consecutivas de atividade pública ilibada. Em seu currículo, traz o jovem governador a bagagem da mais vibrante reforma administrativa de uma máquina pública que já se viu no país. As magníficas reformas na estrutura física da administração estadual, obras de vulto e altamente representativas em Minas, completam-lhe o perfil para fazer dele presidente da República, já no próximo pleito. Para completar o quadro, imagine-se a expectativa de um debate bilateral, visto em todos os recantos, em que Dilma tenha que enfrentar Aécio. Não vejo bolsa família que supere a abissal diferença qualitativa entre estes dois postulantes.
Mas há os azares e os interesses múltiplos. Pode ser que o PSDB entenda fazer o governador dos paulistas candidato. A vitória de Aécio estará configurada, nesse caso, pela derrota nas urnas que poderá advir a Serra. Serra perdendo a eleição a tese de Aécio vence. Caso Dilma perca para Serra, e ela é tão ruim que isso pode acontecer – aquela senhora já teve algum voto? – Aécio terá apoiado de tal forma e com tal peso seu correligionário que lhe sobrará, na pior das hipóteses, um dos mais importantes ministérios quando não estiver no Senado.
O quadro está posto, e em diversas alternativas plausíveis, o grande vencedor em 2010 já está definido. Mas há ainda a mais negra alternativa a ser aventada: não se sabe por que torpe caminho e raciocínios, o risco da bolivarização – que seja remoto – existe, e a perspectiva de extensão do mandato atual ou de sua recandidatura enfrentam apenas a tênue barreira de uma reforma constitucional. Nesse caso, seremos todos derrotados.
A grande confusão está no conceito de vencer a eleição. Na maior parte das vezes as pessoas entendem “vencer a eleição” exclusivamente como “ser eleito”. Um pouco como vencer a corrida ou a partida significa exclusivamente derrotar um ou mais adversários. Mas vitórias eleitorais são de natureza diferente. Participar de uma eleição, concorrendo nela, tem mais de um objetivo – principalmente quando a possibilidade de eleição é remota ou nula. Aderir a candidaturas, participando ativamente delas, quando a eleição é inviável é da mesma natureza.

Uma vitória eleitoral pode ser simplesmente a divulgação de um projeto, a consolidação de um partido, a afirmação de uma ideia. Vejamos alguns exemplos de grandes vitórias eleitorais sem eleição: do general Euler Monteiro ninguém se lembra, mas ele foi candidato a presidente da República em 1978 – sem nenhuma chance no Colégio Eleitoral, mas marcou a presença da oposição; Ulisses Guimarães, também concorreu no Colégio e venceu perdendo. Mais perto de nós? Fantástica a vitória de Lula em sua primeira candidatura à presidência – mesmo que o eleito tenha sido Collor, o estupendo resultado obtido consolidou o partido dele e a ideia de que um operário não estava fora do páreo. Somente na quarta e quinta candidaturas o sufrágio conduziu Lula ao Governo, mas talvez a vitória tenha sido maior na primeira – se considerarmos o ineditismo da postulação e a dimensão da concorrência; por esses dois últimos critérios, quando foi eleito, Lula enfrentou candidatos mais pífios e já era contumaz em pleitos nacionais. Exemplificando mais: alguns se lembram do fabuloso resultado do Dr. Enéias quando, do nada, surgiu em nossas telinhas rugindo: –“Meu nome é Enéias” e acolheu significativa votação, a maioria de protesto, mas que constituiu uma vitória do marketing e que, posteriormente, resultou na enxurrada de votos para deputado que fizeram daquele médico a locomotiva do partido dele na Câmara. No último pleito nacional, a grande vitoriosa foi Heloisa Helena; advinda do ostracismo de seu partido original, aquela senhora levantou milhões de votos e viabilizou seu novo partido.
Postos esses exemplos históricos, imaginemos o que pode significar aderir a candidaturas, sem “torcer” – no sentido de apostar em eleição, ou mesmo no sentido irracional de desconsiderar as alternativas como prováveis, possíveis, ou mais viáveis. Postular uma vitória nas urnas pode ser bem diferente de propugnar por um cargo, e tem sido em aparentes derrotas que se construíram grandes biografias, coroadas muitas vezes de êxitos eletivos posteriores.
Na via inversa, muitos são os candidatos que, inadvertidamente alçados ao cargo que postularam, transformam em fragorosa derrota, algumas vezes coberta de escárnio, a ascensão pelo voto. Nesse rol, para ficarmos na esfera da Presidência da República, incluamos Jânio Quadros e Collor, que colecionam, em suas facetas biográficas convergentes, o fato de terem sido defenestrados por forças claras ou ocultas.
Claro que há grandes vitórias que culminam em diplomação. Aqui temos o exemplo de Tancredo Neves, indiretamente eleito, mas soberanamente ungido pela vontade de reconhecida maioria dentre os cidadãos. Sua ausência na posse deve ter sido a maior das frustrações nacionais. A eleição de Obama tem a mesma característica, é uma vitória, conquanto não por outros fatores, no mínimo pelo significado de alguém com sua etnia naquele cargo. A posse do atual presidente americano representa, subsidiariamente, a revisão dos valores de seu antecessor – e aqui está um dos grandes benefícios da alternância.
A vitória eleitoral pode ser expressa em números que se diluem na expectativa. Qualquer desconhecido terá facilmente 100.000 votos para presidente da República. O que não significará necessariamente vitória, mas somente que há aquele mesmo número de esquizoides ou empatias. Se eu obtivesse 10.000 para deputado em qualquer dos cinco maiores colégios do Brasil, seria um feito – pois sou ninguém – e teria somado á uma legenda um número relevante, seria uma vitória para mim, que nem sequer tenho pretensão nesse sentido – mas não seria eleito.
Torcer por uma vitória eleitoral é torcer para que uma ideia floresça, que um nome desponte, ou que algo seja passado a limpo. Mas torcer não precisa ser o ato irracional que o verbo expressa em sentido próprio, mas que bem representa a atitude de quem se desespera por um resultado desportivo. Torcer por uma vitória eleitoral pode ser elencar as prioridades, por critério pessoal ou coletivo, e implementar ações racionais que produzam efeito no sentido pretendido.
Para nossas eleições presidenciais do ano que vem temos muitos postulantes alinhados. Bem poucos poderão vencer. Começando pela candidata da situação, dona Dilma não ganha, nem leva: se ela for eleita, a vitória é do Lula (e será uma vitória tão grande quanto sua primeira derrota – posta é remota a possibilidade de essa candidatura prosperar). As outras senhoras, Heloisa Helena e Marina da Silva, não vejo como esse palanque inglório lhes venha acrescentar à biografia uma lauda que seja, quanto menos qualquer láurea. Ciro já nem tem mais a idade aventureira nem argumento que lhe emprestem maior significado nessa concorrência. O azar da disputa pode fazer dele qualquer coisa, se não escorregar com a palavra mais que na outra vez. O azar da disputa provavelmente não fará dele nada mais. José Serra teve sua vez no palanque nacional, não acrescentou nada – foi uma candidatura meramente formal, pra cumprir a tabela e dar posse ao concorrente. Ele poderá trazer algo de novo agora? Certamente não. Suas realizações no governo paulista não fazem dele nenhum expoente pelo país afora. Essa candidatura, mesmo eu admitindo nela a possibilidade de prosperar, não será uma vitória, pois terá sempre o sabor de regresso ao período FHC no que ele tinha de menos interessante: a falta de audácia e criatividade.
Os partidos pequenos surgirão com nomes mais ou menos desconhecidos, aqueles que, despreparados para a edilidade de qualquer capital, pleiteiam a magistratura suprema. Não haverá surpresas por esse lado.

Não sei quem vai ser eleito presidente da República em 2010, mas só vejo um postulante apto a vencer nas eleições: Aécio Neves. Essa candidatura, caso se concretize, tem a força da juventude do governador de Minas conjugada à inigualável experiência legislativa e de dois mandatos consecutivos no governo de seu estado. Aécio, eleito presidente, seria a sublimação da frustração da posse de seu avô, mas, sobretudo, seria o aporte de uma filosofia política alicerçada na ética posta à prova por gerações consecutivas de atividade pública ilibada. Em seu currículo, traz o jovem governador a bagagem da mais vibrante reforma administrativa de uma máquina pública que já se viu no país. As magníficas reformas na estrutura física da administração estadual, obras de vulto e altamente representativas em Minas, completam-lhe o perfil para fazer dele presidente da República, já no próximo pleito. Para completar o quadro, imagine-se a expectativa de um debate bilateral, visto em todos os recantos, em que Dilma tenha que enfrentar Aécio. Não vejo bolsa família que supere a abissal diferença qualitativa entre estes dois postulantes.
Mas há os azares e os interesses múltiplos. Pode ser que o PSDB entenda fazer o governador dos paulistas candidato. A vitória de Aécio estará configurada, nesse caso, pela derrota nas urnas que poderá advir a Serra. Serra perdendo a eleição a tese de Aécio vence. Caso Dilma perca para Serra, e ela é tão ruim que isso pode acontecer – aquela senhora já teve algum voto? – Aécio terá apoiado de tal forma e com tal peso seu correligionário que lhe sobrará, na pior das hipóteses, um dos mais importantes ministérios quando não estiver no Senado.
O quadro está posto, e em diversas alternativas plausíveis, o grande vencedor em 2010 já está definido. Mas há ainda a mais negra alternativa a ser aventada: não se sabe por que torpe caminho e raciocínios, o risco da bolivarização – que seja remoto – existe, e a perspectiva de extensão do mandato atual ou de sua recandidatura enfrentam apenas a tênue barreira de uma reforma constitucional. Nesse caso, seremos todos derrotados.
Articulando
Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem maisprofundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos. Clique nos links o no livro para adquirir.
25 de setembro de 2009
Ex-embaixador comenta caso Zelaya
24 de setembro de 2009
Discurso do senador Demóstenes Torres sobre Celso Amorim
Discurso proferido pelo
Senador Demóstenes Torres
Plenário do Senado Federal,
23 de setembro de 2009.
Senador Demóstenes Torres
Plenário do Senado Federal,
23 de setembro de 2009.
"O Ministério de Lula, que teve e tem até pessoas decentes, será lembrado pela quantidade de pastas e a inutilidade de algumas. Os componentes do time, para usar uma expressão cara ao senhor Presidente, se dividiram em trapalhões, aloprados, mensaleiros, sanguessugas, malfeitores e uma gente que parece sempre estar com enxaqueca ou com a gravata muito apertada."
Discurso do senador Demóstenes Torres sobre chanceler Amorim
17 de setembro de 2009
admoestação
16 de setembro de 2009
Trans Posição Francisco

O livro Trans Posição Francisco, sobre a expedição que fizemos no Vale do Rio São Francisco em abril de 2008 está pronto. Temos somente mil exemplares à venda no site da Annablume. Se for um "sucesso" (como tudo na arte tem que ser...) a editora nos prometeu novas edições...
Portanto se você tem curiosidade, gosta de fotografia, arte, assuntos polêmicos e algumas gracinhas, ajude a dar continuidade à publicação da obra e compre um dos mil exemplares no site da Annablume (ou por telefone). Apesar de terem colocado a capa deslocada na lojinha online, o livro está realmente bonito - profundo mas mantém uma certa leveza, em inglês e português.
Marcia Vaitsman
Alguns dos participantes
Marcia Vaitsman, Julio Meiron, Luísa Nóbrega, Luiz Mizukami, Silas Martí, Vitório Rodrigues, Nabor Kisser, Kendra Johnson, Pascal Glissman, Otávio Carvalho, Fernando Valença, Públio Athayde, Frei Gilvander...
Resumo do livro
Em abril de 2008, os cinco integrantes do projeto Expedição Francisco, contemplado com recursos pelo programa Conexão Artes Visuais da Funarte, percorreram o Rio São Francisco de Januária (MG) até sua foz, em Piaçabuçu (AL), realizando performances artísticas que propunham, cada uma, sua relação específica com o rio, bem como uma tentativa particular de entender questões que se colocam para a arte contemporânea no momento em que ela se dirige a espaços distantes do circuito artístico de cidades como São Paulo. Direcionado para a pesquisa, o projeto Expedição Francisco se propunha a compreender a maneira pela qual nosso trabalho de arte contemporânea se transformaria pelo contato com o Rio São Francisco em momento chave, marcado pelo início das obras de transposição de suas águas.
Neste livro, Trans Posição Francisco, surgido da Expedição, optamos por não dissolver artificialmente as muitas controvérsias que envolvem os temas de que tratamos, deixando que um texto conteste e contradiga o outro. Cientes de que nossa contribuição ao debate da transposição não terá o mesmo aprofundamento e rigor de um trabalho sociológico escrito por especialistas, aproveitamo-nos da qualidade de artistas para fazer aproximações entre as dificuldades que encontramos para realizar nosso projeto e as tensões do momento político atual do Rio São Francisco que, se poderiam soar descabidas de um ponto de vista teórico rigoroso, arriscamos dizer que são pertinentes.
Em abril de 2008, os cinco integrantes do projeto Expedição Francisco, contemplado com recursos pelo programa Conexão Artes Visuais da Funarte, percorreram o Rio São Francisco de Januária (MG) até sua foz, em Piaçabuçu (AL), realizando performances artísticas que propunham, cada uma, sua relação específica com o rio, bem como uma tentativa particular de entender questões que se colocam para a arte contemporânea no momento em que ela se dirige a espaços distantes do circuito artístico de cidades como São Paulo. Direcionado para a pesquisa, o projeto Expedição Francisco se propunha a compreender a maneira pela qual nosso trabalho de arte contemporânea se transformaria pelo contato com o Rio São Francisco em momento chave, marcado pelo início das obras de transposição de suas águas.
Neste livro, Trans Posição Francisco, surgido da Expedição, optamos por não dissolver artificialmente as muitas controvérsias que envolvem os temas de que tratamos, deixando que um texto conteste e contradiga o outro. Cientes de que nossa contribuição ao debate da transposição não terá o mesmo aprofundamento e rigor de um trabalho sociológico escrito por especialistas, aproveitamo-nos da qualidade de artistas para fazer aproximações entre as dificuldades que encontramos para realizar nosso projeto e as tensões do momento político atual do Rio São Francisco que, se poderiam soar descabidas de um ponto de vista teórico rigoroso, arriscamos dizer que são pertinentes.
26 de agosto de 2009
Taxonomia do Senado Federal

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Taxonomia é a ciência que lida com a descrição, identificação e classificação dos organismos, individualmente ou em grupo, quer englobando todos os grupos. A taxonomia política é a arte de comparar os políticos a animais, de acordo com seus comportamentos.
O Senado Federal é facilmente reconhecível pela essência das atitudes e comportamentos de seus componentes. São todos répteis: grande classe de animais vertebrados, originada durante o Carbonífero (sistema do erátema Paleozóico Superior).
Senado, na origem, era a assembléia dos patrícios que constituía o Conselho Supremo de governo na antiga Roma. Um colegiado de um segmento privilegiado da população que detinha a mais alta direção daquela república. Hoje o senado justifica debilmente sua existência como casa revisora, destinada a passar o processo legislativo pelo crivo da federação – algo que não existe na prática.
Os senhores (e senhoras) senadores, sob a ótica da taxonomia, agrupam-se na classe dos répteis, como qualquer um que deitar olhos sobre a questão há de convir. As classificações mais modernas tendem a não tratar mais os répteis como um grupo natural, pois nada há de menos natural que aquele coletivo de 81 do senatório – podendo mesmo a maior parte ir dalí ao sanatório sem muito esforço.
Dos répteis sabe-se que variam em formas bastante distintas como tartarugas, serpentes, lagartos e crocodilianos; seu corpo é coberto por pele seca e cornificada, dotada de escamas ou placas, coração com três câmaras e respiração pulmonar. Dado o grande leque de adaptações sofridas pela classe, e às contínuas mutações que sofrem, são encontrados répteis nos mais diversos hábitats: uns vêm dos pampas, outros da caatinga; há os da tundra e os litorâneos – não havendo região do país que de que eles não advenham ou unidade da federação não nos forneça pelo menos três deles.
Voltando à taxonomia, os répteis do Senado se dividem em três subordens: sáurios, qulônios e ofídicos com alguns hibridismos e quimeras momentâneas. Vamos a eles.
Taxonomia é a ciência que lida com a descrição, identificação e classificação dos organismos, individualmente ou em grupo, quer englobando todos os grupos. A taxonomia política é a arte de comparar os políticos a animais, de acordo com seus comportamentos.
O Senado Federal é facilmente reconhecível pela essência das atitudes e comportamentos de seus componentes. São todos répteis: grande classe de animais vertebrados, originada durante o Carbonífero (sistema do erátema Paleozóico Superior).
Senado, na origem, era a assembléia dos patrícios que constituía o Conselho Supremo de governo na antiga Roma. Um colegiado de um segmento privilegiado da população que detinha a mais alta direção daquela república. Hoje o senado justifica debilmente sua existência como casa revisora, destinada a passar o processo legislativo pelo crivo da federação – algo que não existe na prática.
Os senhores (e senhoras) senadores, sob a ótica da taxonomia, agrupam-se na classe dos répteis, como qualquer um que deitar olhos sobre a questão há de convir. As classificações mais modernas tendem a não tratar mais os répteis como um grupo natural, pois nada há de menos natural que aquele coletivo de 81 do senatório – podendo mesmo a maior parte ir dalí ao sanatório sem muito esforço.
Dos répteis sabe-se que variam em formas bastante distintas como tartarugas, serpentes, lagartos e crocodilianos; seu corpo é coberto por pele seca e cornificada, dotada de escamas ou placas, coração com três câmaras e respiração pulmonar. Dado o grande leque de adaptações sofridas pela classe, e às contínuas mutações que sofrem, são encontrados répteis nos mais diversos hábitats: uns vêm dos pampas, outros da caatinga; há os da tundra e os litorâneos – não havendo região do país que de que eles não advenham ou unidade da federação não nos forneça pelo menos três deles.
Voltando à taxonomia, os répteis do Senado se dividem em três subordens: sáurios, qulônios e ofídicos com alguns hibridismos e quimeras momentâneas. Vamos a eles.

- Répteis sáurios são escamados, compreende os lagartos, com cerca de 3.700 subespécies, encontradas em todo o mundo, em regiões tropicais e temperadas. São os predadores, aqueles senadores que vivem à espreita de uma presa, podendo ser uma benesse ou vantagem política, sem descartar eventual numerário abrigável nas ilhas Caimãs. Os representantes da subordem dos sáurios no senado são dominantes em relação aos demais. Exemplos destes: Sarney, Calheiros, Mercadante, Virgílio, Collor.
- Répteis quelônios são ordem de répteis anapsidas, conhecidos
como tartarugas, cágados ou jabutis, com cerca de 250 subespécies, aquáticas ou terrestres, encontradas em quase todo o mundo. São lentos, longevos, se protegem com carapaças e carapuças, fingindo que a tempestade não os alcança. São senadores que se omitem, que se eclipsam e que dão todos os bois para não entrar em briga nenhuma: a sobrevivência política é prioridade. Exemplos podem ser apontados: Suplicy, Mão Santa, Tuma, Maciel, Eliseu, Cristovam, Jarbas.
- Répteis ofídios são subordem de répteis escamados, também chamad
os de ofídicos, que inclui cerca de 2.300subespécies, conhecidas vulgarmente como cobras. São senadores que habitam o seio da terra, considerados entre certos povos, sobretudo em sociedades matriarcais, como vitais e benéficos. Designam as cobras, venenosas ou de aspecto ameaçador ou gigantesco e pessoa má, pérfida, traiçoeira; víbora. Possuem veneno próprio ou mandam destilar em bodegas bolivarianas. São senadores que emprestam sua retórica (quando têm) sua verborragia ou seus estertores à causa do momento ou eternamente à mesma, com reconhecível virulência, mas não tem mais que isso a oferecer. Exemplos: Ideli, Wellington Salgado, Paim, Duque.
Leia mais neste blog: Produção de ovos de páscoa - O banquete de dona Onça - Azellite, a pop estar
Leia no blog da Keimelion: Para publicar seu texto - Impressão sob demanda - Documentos sobre nosso trabalho
Articulando
Coletânea de artigos. O artigo acima e outros mais estão publicados no livro Articulando, excelente sugestão para entretenimento ou presente. Alguns são artigos leves, outros bem maisprofundos. Alguns têm origem em trabalhos acadêmicos e foram simplificados para essa edição, estando disponíveis inclusive pela internet, suas versões completas e anotadas. Há artigos bem recentes e outros de mais de dez anos. Clique nos links o no livro para adquirir.
18 de agosto de 2009
Sinônimos de Senado

Aguaçal, alagadeiro, alagadiço, alagado, alberca, almargeal, alverca, anoque, apicu, apicum, atascadeiro, atascal, atasqueiro, atolador, atoladouro, atoledo, atoleiro, bamburral, banhadal, banhado, bexiga, borraçal, brejal, brejão, brejeiro, brejo, burara, cafofo, ceno, cenosidade, charco, charneca, chepe-chepe, choqueiro, enxurdeiro, enxurreira, enxurreiro, ipueira, lamaçal, lamaceira, lamaceiro, lamarão, lamedo, lameira, lameirão, lameiro, lenteiro, lodeira, lodeiro, ludreiro, mangal, mangrove, mangue, manguezal, marnel, mondongo, mundongo, palude, pantanal, pântano, patameiro, paul, peri, picum, sapa, sapal, tremedal, varga, volutabro.

2 de agosto de 2009
A queda do Bigodão

No Senado do Planalto Central, os minutos finais estão contados. Mamatas vão surgindo, atos secretos são descobertos, parentes são listados em folha de pagamento, a imprensa está chegando perto. Ao Senador, só há uma saída: cianureto + pistola ... ou voltar pro Maranhão, é a mesma coisa....
Disclaimer:
Todos os direitos reservados a Konstantin Film Produktion GmbH. Este vídeo é uma paródia e sua intenção é somente recreativa. Nenhuma opinão aqui expressa é devida aos detentores dos direitos.
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10 de julho de 2009
NÃO REELEJA NINGUÉM!

Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !
Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.
Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.
Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado , com mestrado, doutorado e prestígio internacional.
Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo
buscando curas e vacinas para salvar vidas.

PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE, NOS TRÊS PODERES DA
REPÚBLICA , ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.
OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS ESTADUAIS E VEREADORES.
TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA BRASILIENSE COSA NOSTRA "..O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS GASTOS PÚBLICOS.
DIANTE DESSA HECATOMBE DA MORALIDADE PELOS POLÍTICOS BRASILEIROS, NÓS PODEMOS FAZER UMA REVOLUÇÃO DECENTE: A DO VOTO!
Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.
Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda um regimento de blindados.
Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro de um professor universitário federal concursado , com mestrado, doutorado e prestígio internacional.
Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo
buscando curas e vacinas para salvar vidas.

PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE, NOS TRÊS PODERES DA
REPÚBLICA , ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.
OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS ESTADUAIS E VEREADORES.
TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA BRASILIENSE COSA NOSTRA "..O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS GASTOS PÚBLICOS.
DIANTE DESSA HECATOMBE DA MORALIDADE PELOS POLÍTICOS BRASILEIROS, NÓS PODEMOS FAZER UMA REVOLUÇÃO DECENTE: A DO VOTO!
JÁ QUE ELES NÃO FAZEM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, MAS CAMPANHA ELEITORAL DURANTE TODO O TEMPO, VAMOS FALAR A LINGUAGEM DELES: VAMOS FAZER CAMPANHA.
NÃO REELEJA NINGUÉM!
MAS NINGUÉM MESMO!
28 de maio de 2009
Populismo
André Leandro
(Estudante de História na UFOP)
Populismo é uma expressão comum aos brasileiros. Com frequência a encontramos na mídia e nas acusações ao governo. Todos nós sabemos que populismo é a prática de um líder carismático que, por conceder benefícios às classes populares, é capaz de manipulá-las, assim como de seus malefícios para o país. Mas se todos sabem o que é o populismo, como pode haver manipulação? Para tanto, é necessário saber o que é populismo.(Estudante de História na UFOP)
No Brasil, a análise teórica do populismo se iniciou na década de 1950. Nesses anos, segundo Jorge Ferreira, a teoria da modernização influenciava a produção acadêmica, portanto as noções iniciais de populismo. Segundo o autor, essa teoria é a explicação da modernização dos países latinoamericanos que transitaram da economia tradicional, agrária, de participação política restrita, para a economia de mercado, industrial, de participação política ampliada; fizeram isso de forma rápida, devido às ânsias das massas populares, deslocadas do meio rural para o urbano, desrespeitando as etapas do desenvolvimento democrático liberal europeu e, assim, possibilitando o surgimento do populismo. Seguindo essa teoria, um grupo de sociólogos patrocinado pelo Ministério da Agricultura, Grupo do Itatiaia, apontado por Ângela de Castro Gomes, foram os primeiros a identificar o surgimento do populismo no Brasil. Para este grupo, o populismo foi a política de massas surgida a partir de 1945. Originada de uma sociedade em que a classe dominante está em crise e necessita de apoio; que está em processo de modernização, ou seja, transformação de mão-de-obra agrária em industrial; em que a classe trabalhadora possui tímida consciência de direitos; que, por não haver hegemonia de classe, necessita de um líder carismático, com capacidade de manipular as massas e garantir a organização do Estado.
Ainda nos anos 50, outra interpretação ao populismo feita por sociólogos dentro das universidades, chamada por Luiz Werneck Vianna de “interpretação sociológica”, buscava refletir o papel dos camponeses na formação da classe operária. Esse grupo propõe que o surgimento do populismo esteja relacionado ao surgimento de uma classe operária sem espontaneidade e ação revolucionária. Consideram que a classe operária organizada, de influência anarquista, dos anos de 1910, sofre uma perda de consciência a partir de 1930, com a burocratização dos sindicatos. A causa dessa mudança, para a interpretação sociológica, está no processo de modernização, que trouxe à mão-de-obra industrial trabalhadores rurais e, com eles, o tradicionalismo agrário, patrimonialista e individualista. Isso, para o grupo de Vianna, tornou a classe operária incapaz de realizar ações coletivas, deixou-a passiva e dependente do Estado. Assim, para esse grupo de sociólogos, surge o populismo como resultado dessa conjuntura.
Depois do golpe de 1964, houve uma mobilização para se compreender as causas de seu acontecimento. Nesse contexto, os estudos do populismo passaram a integrar a explicação para o golpe. Dessa nova interpretação do populismo, Ângela Maria de Castro Gomes destaca a produção de Francisco Weffort. Em seu trabalho, Weffort reitera a teoria da modernização. Divide o fenômeno populista em dois tempos: as origens, no estudo da Revolução de 30, como apontado pela interpretação sociológica; a república populista 1945-1964. Weffort considera as origens do populismo na instabilidade dos anos 30. Sem a possibilidade de se apoiar nas velhas oligarquias rurais, nem no novo empresariado urbano, o Estado buscará apoio nas classes populares, possuidoras de uma força original, mas sem condições de exercer uma participação política autônoma. Assim, o Estado, confundido no estadista, seria capaz de manter alguns compromissos com os diferentes grupos dominantes, se apoiando nas classes populares, por meio de concessão de benefícios, sendo capaz de subordiná-las. Mas para o autor, a manipulação populista não se opera de maneira a beneficiar apenas o Estado, como pensado pelas teorias anteriores. Para ele, apesar de ser uma forma de controle, a política de massas atende às necessidades das classes populares, dando a elas certa participação política e social, já que não eram capazes de fazê-la por si sós. Weffort compreende o populismo de maneira processual. Após esse primeiro momento, quando existe uma relação de dependência das massas perante o estadista, elas com o tempo reconhecem sua cidadania, por meio dos direitos concedidos. A inserção das massas, que Werffort considera ocorrer no momento da república populista, gera, para ele, uma mobilização popular verdadeira, criando uma crise na manipulação populista. Assim, a mobilização popular real, querendo reformas radicais, fará eclodir o golpe militar em 64.
As reflexões de cada grupo acadêmico, elencado anteriormente no texto, possuem suas particularidades, mas todos eles conservam as concepções da incapacidade dos operários de se organizarem e expressarem suas vontades, da presença de um Estado demagogo, traidor e manipulador. A questão da manipulação das massas possui problemas. Os pesquisadores acreditavam que as classes trabalhadoras iriam ter um caminho predeterminado, que seus interesses reais convergiriam necessariamente à desestruturação do capitalismo. Portanto, para eles, a inexistência de mobilização trabalhadora nesse sentido só foi possível devido ao controle, pela burocracia, do movimento operário e sindical, e à manipulação das massas pelo estadista, com a veiculação da ideologia de um estado benevolente. Mesmo na interpretação de Weffort, que aponta uma relação de ambiguidade na manipulação, os setores populares ainda se encontram em situação de fraqueza e passividade, meros objetos de manobra do Estado, desviados de uma ação consciente. O problema está em determinar qual era a ação consciente, pois preestabelecendo uma ação, esperando que ela aconteça, não será possível observar a ação consciente de fato acontecendo, pois dificilmente as experiências humanas no tempo respeitam previsões. E ainda refletindo sobre manipulação, pode-se pensar que ela, pelo menos na formulação maquiavélica que foi construída, não seria possível existir. As pessoas não possuem a cabeça vazia à espera de uma ideologia para ser colocada ali dentro. Pelo menos culturalmente, as pessoas expressam suas vontades. Uma ideologia não pode ser imposta, como proposto por essas gerações de pensadores, pois para que seja minimamente aceita ela deve, pelo menos, ter algumas ligações com a cultura dos indivíduos.
Seguindo essas idéias de que os indivíduos não são manipuláveis, em meados dos anos 1980, alguns historiadores brasileiros buscaram compreender o populismo sob a perspectiva da História Cultural. A História Cultural procura estudar seus temas sob os conceitos de cultura, tradição, disseminação de idéias na sociedade, apreensão e resistência a essas idéias. Jorge Ferreira indica E. P. Thompson como principal influência metodológica no Brasil em diversos estudos atuais. Ele aponta que a concepção de classe social do autor inglês “é incompatível com a noção de populismo e de suas inevitáveis consequências, como manipulação das massas, mistificação ideológica e consciências desviadas de seus interesses ‘reais’”. Assim, Ferreira faz uma pequena análise do populismo sob a perspectiva de Thompson. Em sua análise ele desmancha a concepção de classes manipuladas, admite que o projeto trabalhista sofresse intervenção do Estado, mas pondera que, apesar da contribuição do Estado, os trabalhadores não foram manipulados. O que ocorreu foi a identificação de interesses entre as partes.10 Colocando a classe trabalhadora sobre esse enfoque, o autor os retira da condição de objeto de regulamentação, para participante de seu projeto. Afirma, portanto, que o projeto trabalhista não foi desviado, muito menos imposto, desconstruindo a categoria populismo.
Por fim, pontuo a necessidade, não apenas acadêmica, de se refletir sobre o que é o populismo. Em nosso cotidiano, utilizamos esse termo em diversas ocasiões. Atribuímos a ele a manutenção das mazelas de nosso país. Pessoas instruídas acreditam que os políticos ludibriam as massas, que essas os mantêm no poder e por conseqüência as desigualdades. Mas estarão sendo manipuladas, ou reivindicando suas necessidades dentro do aparato social e cultural em que estão inseridas? E os intelectuais, que estão longe da manipulação, seus projetos individuais, suas ações na sociedade, como manifestam suas vontades, e como elas contribuem para solução dos problemas do país? Refletindo sobre o populismo, o penso como uma expressão que procura identificar culpados, ou ainda um mito do mal nacional, uma expressão utilizada com tanta demagogia, quanto a sua prática, se ela realmente existisse como idealizada.
27 de maio de 2009
VOTO EM LISTA FECHADA: PENSE

Antes que você possa ser a favor do voto em lista fechada, a ser elaborada pelos partidos, e defender a proposta de reforma eleitoral que está em pauta no Congresso Nacional, responda para você mesmo estas perguntas:
- Você acredita que algum político que esteja no exercício de mandato vai propor algum projeto de reforma eleitoral que crie a remota possibilidade de não se reeleger?;
- Você viu algum deputado, senador, sinistro, funcionários de alto escalão renunciar ao mandato ou cargo por não suportar o convívio em meio à corrupção e fraudes que nos escandalizam a cada semana?;
- Você acredita que o coeficiente de corruptos e corruptores no Congresso Nacional e nas Assembléias Legislativas é o mesmo que existe dentro de sua família?;
- Você acha que, em caso de necessidade, contrataria algum político conhecido para administrar seu patrimônio pessoal, com plenos poderes de gestão?;
- Você acredita na democracia interna de algum partido político ou imagina que eles sejam controlados por caciques que determinam tudo internamente, distribuindo cargos e funções?;
- Você se sente mais seguro sabendo que os dirigentes partidários passarão a elaborar as listas de parlamentares e o eleitor vai apenas determinar o percentual de cargos que compete a cada partido?
- Você tem certeza absoluta que a proposta de reforma eleitoral e política que está em pauta tem o objetivo de tornar mais representativo o nosso sistema político?
- VOCÊ CONFIA NA JUSTIÇA BRASILEIRA, depois de ver os resultados dos julgamentos de Collor e dos demais envolvidos em escândalos políticos nos últimos 20 anos?
- Você acha que o Governo está realmente preocupado com você? Quantas pessoas que lerão essas questões recebem bolsa-família? Você acha que os beneficiários das esmolas do Governo se preocupam com as questões aqui colocadas?
- Você acha que a Constituição Federal é cumprida na integridade? Ou será que é cumprida na parte que interessa aos detentores do poder, esquecida quando contraria interesses poderosos e interpretada segundo as necessidades casuísticas de cada Governo?

- Você tem condições de pagar mais impostos a cada ano para sustentar as políticas populistas internas do Governo e o subsídio brasileiro a todo governo demagógico da América Latina?
- Você tem condições financeiras de arcar com sua segurança pessoal, sua seguridade social, sua educação e de seus filhos ou prefere deixar esses assuntos aos cuidados e à competência do Governo?
- Hoje, com os governos municipais, estaduais e federal que estão aí, você se sentiria atraído a colaborar com o Estado sem nenhum retorno financeiro?
- Você acha que nossas relações com o Paraguai, Venezuela, Coréia do Norte trarão benefício para você ou para a coletividade? Ou melhor, acha que essas relações vão diminuir o contrabando de armas, de carros roubados, de drogas, e favorecer o desarmamento nuclear?
- Você acha que Hugo Chàvez vai aceitar o capital brasileiro em seus domínios depois que o PT sair do Governo?
- Você entendeu que a reforma política que estão nos propondo é o mesmo tipo de golpe que permite a manutenção eterna do governo bolivariano?
- Sabe que, caso você não se mobilize e não alerte as pessoas de suas relações para o risco que estamos correndo, vamos eternizar no poder as corjas que têm assento em cada parlamento corrupto em nosso paraíso tupiniquim?
- Qual foi sua última atitude para fazer o Brasil melhor que ele se encontra agora?
19 de maio de 2009
Congresso Novo!
15 de maio de 2009
A conspiração da Reforma Política

Tente fazer uma lista de deputados e senadores que mereçam continuar no Congresso. Se passar a Reforma Política, eles mesmo farão a lista!
Assim será, se passar no Congresso a reforma Política: eles vão fazer as listas, nós só escolhemos o partido! Quem vai querer isso?
Calcule a maravilha que será nossa democracia se os líderes políticos passarem a elaborar as listas eleitorais a seu bel prazer... A "coisa" está prestes a ser votada... e a Imprensa mal dá pelo abacaxi que vamos engolir sem descascar!
O risco para seu, meu e nosso direito de escolher parlamentares se chama hoje Reforma Eleitoral: vem aí o voto em listas, você quer? Pois estão prestes a transformar nossa pífia democracia em circo de lona esfarrapada. O nome da feitiçaria é Reforma Eleitoral. Leia a respeito.
O que você já leu sobre a Reforma Eleitoral? Tá sabendo das ameças que pairam sobre nós? Informe-se ou deixe pra lamentar depois.
Você foi consultado? Pois não será. E não escolherá mais seu representantes - escolherá listas partidárias. Reforma política: Projeto de Lei 1210/2007 http://tinyurl.com/qffcxc Apreciação do Plenário Regime de Tramitação: Urgência art. 155 RICD
Assim será, se passar no Congresso a reforma Política: eles vão fazer as listas, nós só escolhemos o partido! Quem vai querer isso?
Calcule a maravilha que será nossa democracia se os líderes políticos passarem a elaborar as listas eleitorais a seu bel prazer... A "coisa" está prestes a ser votada... e a Imprensa mal dá pelo abacaxi que vamos engolir sem descascar!
O risco para seu, meu e nosso direito de escolher parlamentares se chama hoje Reforma Eleitoral: vem aí o voto em listas, você quer? Pois estão prestes a transformar nossa pífia democracia em circo de lona esfarrapada. O nome da feitiçaria é Reforma Eleitoral. Leia a respeito.
O que você já leu sobre a Reforma Eleitoral? Tá sabendo das ameças que pairam sobre nós? Informe-se ou deixe pra lamentar depois.
Você foi consultado? Pois não será. E não escolherá mais seu representantes - escolherá listas partidárias. Reforma política: Projeto de Lei 1210/2007 http://tinyurl.com/qffcxc Apreciação do Plenário Regime de Tramitação: Urgência art. 155 RICD
Projeto de Lei 1210/2007: Dispõe sobre (...), o voto de legenda em listas partidárias(...) o financiamento de campanha ..
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