30 de junho de 2012

Filosofia da pipoca

Com certeza todo mundo já sabe, mas as grandes verdades, as coisas necessárias e a experiência individual que pode ser recorrente devem ser partilhadas: pipoca se faz em panela funda.
As condições normais de temperatura e pressão
não são condicionantes sociais,  mas
delas pode vir um alimento recreacional
ou um princípio de incêndio.

A noção de tempo, tão exata quanto possível, é preciosa em todos os momentos da vida; devemos ponderar apenas o tempo exato antes de cada decisão, agir com presteza quando o momento certo advier e obter da oportunidade tudo quanto ela nos proporcionar: panela quente demais não faz pipoca, queima o milho.

O torneiro mecânico chegou em casa, todo contente com sua cesta-básica. A crianças foram receber o pai alvoroçadas, sabem como a meninada é. Era dia de jogo e todos assistiriam juntos, tomando guaraná. Mas na hora de abrir os pacotes e tirar os alimentos, o milho espalhou todo pelo chão. Os filhos foram ajudar a limpar, com os olhos marejados. Mas o pai, catando pelo chão, logo ensinou que nada estava perdido: -- Não se preocupem, crianças: pipoca se come pelo avesso.

Não tem muito tempo, três próceres de república se reuniram no escritório de um deles, para uns uísques e alguma conversa institucional. Sabe-se que não houve acordo financeiro, nem era esse o objetivo deles, mas a falta de acordo não deixou todos satisfeitos e a coisa transpareceu; não ficou bem. Sabem o que eles esqueceram? Pipoca se faz em panela bem tampada.

29 de junho de 2012

Um pouco mais no ventilador

Com a estrutura política que temos, o fisiologismo e compadrio estão na Carta Magna e nas cartas da manga.

As universidades foram o criatório dessa sub-raça de brasileiros que chamamos petralhas; também estão sendo os primeiros a comer o pão ázimo que amassaram com os próprios rabos. O resto da patuleia vem na fila, esperando com o pires na mão pra mendigar, de verdade, assim que a economia ruir e as bolsas-voto não comprarem mais televisão nem feijão.
Assim nos servem nossos governantes.

Os desejos, aspirações e posse conjugados que os românticos chamam amor, não só possuem sua própria ratio como têm em si uma finalidade social e biológica que crivamos pela linguagem mítica em costruto elaborado e complexo, mas profundamente finalístico. Nunca vou entender a motivação que as pessoas têm com um evento que não agregará nenhuma vantagem pessoal ou coletiva real, presente ou futura. Para mim, torcer é o expoente máximo de irracionalidade social. Não percebo mesmo.

A panaceia agora para o ensino é dar tablet pra crianças, entes foi colocar computador nas escolas, antes teve a vez da TV+VideoK7, precedida pelos projetores de diapositivos (slides) e coleções daquilo que mostrariam o mundo às criança, antes eram os episcópios... Quando foi mesmo que entraram os retroprojetores e o datashow nessa dança?... Um dia desses, talvez, experimentem professores... Tem muito tempo que não usam esse equipamento. Se não tem tu, vai tu. De mal a pior, a qualquer preço

Questões pertinentes

Dizem que perguntar não ofende, mas não responder
pode ser bem ofensivo.
  1. Não importa o quão pertinente seja o que se diz aqui, as pessoas prestam mais atenção se houver uma imagem justaposta. Não precisa haver nenhuma ligação entre o texto e o grafismo, um reforça o outro. Mas você acha mesmo que precisa parar de dizer o que pensa e ficar privilegiando as coisas que os outros disseram e estão nesses cartazes virtuais viróticos?
  2. Todos os políticos dizem que decisão da justiça não se discute, cumpre-se. Enquanto o isso, o cidadão já está discutindo as hipóteses de sentença, o julgamento, as cortes, os juízes e sua forma de condução ao cargo! Você não acha que está havendo aqui mais um descompasso entre a lei, as instituições e a sociedade?
  3. Engraçado, não andaram dizendo que o impeachment do Lugo era golpe, que não respeitaram a democracia, a soberania do voto popular? Pois bem, esse pessoal das universidades, em greve, não está desrespeitando a política estabelecida pela presidenta eleita, portanto agindo contra a democracia? Afinal, a política educacional está determinada pelos interesses de toda a sociedade legitimamente representados pela eleição majoritária... Ou não?
  4. Por quanto tempo você acha que vai suportar essa invenção chamada Facebook? Antes vivíamos sem ele, uma hora dessas a moda vai passar. Não sei se algo no mesmo gênero, mas melhor, vai aparecer, ou se as pessoas vão, simplesmente se dedicar ao cultivo de trevos de quatro folhas. Em que estágio se encontra sua relação com as redes sociais?

23 de junho de 2012

Ghost writer e plágio

Existem muitas coisas diferentes que podem ser chamadas de ghost writer, algumas são legítimas, outras são pura picaretagem, fraude e falsa ideologia: crimes mesmo.
Ler um discurso redigido por um assessor, não plágio. Pode ser falta de tempo ou mesmo de habilidade necessária à redação de uma peça literária de impacto ou bela. Quem profere discursos, muito habitualmente, passa as diretrizes; a pesquisa, redação ficam a cargo de outro, depois o material volta a quem vai proferir, para discussão. Existe quase coautoria, ou um tipo específico de coautoria - que é todo trabalho colaborativo da produção de texto ou qualquer outro trabalho criativo.
Ninguém inventa tudo que
escreve, mas não se pode
apresentar invenção alheia
como criação própria.
Raramente, hoje em dia, um texto é isoladamente de um só autor. Isso em todo tipo de texto. Existem editores, revisores, preparadores, digitadores... Jorge Amado: Zélia preparava todos os textos (ou a maioria) dele! Helio Vianna (historiador de centenas de livros) não escrevia uma linha: era tudo ditado à sua secretária... E por aí vai. Qualquer trabalho acadêmico contém fragmentos de textos e ideias mimetizados, citados ou inspirados em outras obras. Em muitos casos existem interferências de colegas, coautores, orientadores. Muitas vezes passam por revisores de língua e revisão técnica.
Eu reviso de tudo, e não deixo de me tornar coautor de cada texto em que colaboro. É um tipo específico de coautoria a revisão. Já revisei discurso para importante academia de letras, foi uma honra. Era um autor com muitas dezenas de livros na praça, professor de retórica, poliglota eruditíssimo!
Existe também, muito, quem contrate um escritor para contar sua biografia ou outro episódio. A história é contada por um, escrita por outro. Super normal. Mas daí, a comprar TCC ou tese, sabiá muda de cantiga. É crime. Não se trata de plágio, mas fraude e falsa ideologia. Plágio é enfiar um capítulo da tese de fulano na sua ou só trocar a capa. Mas isso seria plágio, fraude e falsa ideologia.

22 de junho de 2012

Educação não é panaceia

O que chamam de educação é um baita equívoco, virou panaceia (no sentido próprio: remédio que cura todos os males). Educação não é sinônimo de escolarização, tenho visto escolas serem lugares de doutrinação, aliciamento (institucional mesmo - não só pelos traficantes), catecismo político e doutrinação partidária ou religiosa: isso não tem NADA a ver com educação.
Leia também:

"Educação" não é panacéia

É legítimo doutrinar, é válido cardecizar ou catequizar, até mesmo a apologia política partidária (em qualquer idade) são aceitáveis, mas FORA DA ESCOLA. Sem um centavo público para isso! Escola é lugar de ensino: português (abandonado), matemática (ignorada), e todo mundo sabe o que mais. Educação, ah, essa tem que ser EM CASA! Educação é formação de valores. Privilégio indelegável da FAMÍLIA. Pedagogos que se danam por falar diferente disso.
E a maior piada é subverter o o ensino superior - chamar aquilo de educação de marmanjos é pura imbecilidade. Quem tem 18, 20 anos, ou tem educação que rebeu em casa ou não terá jamais. Qualquer lheguelhé sabe que é de pequenino que se torce o pepino. O que chamam de "educação universitária" é a captação de quadros políticos. A faculdade virou um colejão onde os adultos jovens se comportam como adolescentes rebeldes sem causa provável. Um lugar para passar o tempo, fumar maconha e se divertir em baladas num território neutro, livre do jugo paterno e com a conivência de um poder público tíbio e favorecedor da banalização da academia. Fazem isso até chagar a hora de comprar ou enjambrar uma monografia ou tese: exatamente como fez o próprio Mercadante.

18 de junho de 2012

Ambiente, consumo e poupança

Não sou bem informado a respeito de quase nada - sendo mal informado (e isso significa que eu seja informado) acerca de muito mais coisas que a maioria das pessoas; essa circunstância é decorrente das decisões de vida tomadas quando as tomamos (pela adolescência) e pela rumo profissional que decorreu.
Aprendi a ver muitos paralelos e sei que há meridianos para quase tudo. Três questões candentes, agora - e quase sempre em termos da história de longa duração, mas agora ainda mais, têm um simples paralelo.
Todas as condições estão interligadas e podem ser
equacionadas em termos contábeis.
As questões ecológicas, a crise grega, o orçamento doméstico, são matérias meramente contábeis! Não há mágica, ninguém tira coelho da cartola se antes não o houver colocado ali. Se colocar um casalzinho, alimentar por um tempo, aí sim: pode tirar mais que colocou.
Os gregos resolveram se aposentar sem ter poupado - agora vão se ferrar para cobrir o buraco que deixaram aberto. Tudo que as pessoas estão comprando para pagar em décadas terá que ser pago - por quem comprou ou por que fez a bobagem de dar o tal crédito. O ambiente também tem ativos e passivos - com a vantagem de que, se deixado quietinho vai se arrumando sozinho! O mundo todo precisa aprender um pouco de contabilidade. Contabilidade doméstica, contabilidade previdenciária e contabilidade ambiental. Estou sendo simplista? Bem, é o que pode fazer quem sabe pouco das coisas, mas estamos num enorme pedaço de magma revestido por uma camadinha habitável, por alguns milhões de anos, e temos bem pouco que fazer para que esse tempinho seja mais ou menos simples ou complicado. Eu prefiro que seja mais simples.
Se todos entenderem que governos não produzem nada, portanto não distribuem (embora redistribuam, se não roubarem o que arrecadam). Se todos entenderem que juntar grana pra comprar TV poder resultar em deixar herança e não dívida para a geração seguinte. Se as pessoas caírem na real, se virem que não existe o decantado equilíbrio ecológico, mas ondas de condições ambientas sobre as quais surfamos... Três ses. Se, como linguistas, sabemos que é uma conjunção atrapalhativa.
O que atrapalha, na verdade, não são os ses, mas as pessoas não verem que as condições que eles expressam é que são as estreitas variáveis sobre as quais temos gerência - se, se, se tivermos consciência disso - e somente assim.

14 de junho de 2012

Curtas e grossas

Todo mundo se esqueceu da campanha pela instauração do voto secreto nos parlamentos, pela época do Figueiredo - se não me equivoco. Voto aberto é inerente a regimes autoritários (pode ser controlado) e voto secreto é mais dos regimes pluralistas (emana da consciência do votante). O segredo do voto é casadinho com a imunidade parlamentar. Vamos alcançar em breve o fim do voto secreto e o fim da imunidade parlamentar sim, como partes do processo de fortalecimento (no pior sentido!) do executivo - e todos os legislativos estarão de quatro, prontinhos para serem ferrados pelos controladores dos partidos e dos governos!
Nem adianta muito reclamar:
-- Estamos ferrados.

* * *
Minhas ações da petroleira minguaram! Isso porque a justiça inexistente no Brasil permite que o sócio majoritário faça uso político de seu controle acionário! Ah, mas dane-se meu patrimônio? Vão se danar juntos os fundilhos de pensões das vovós, das titias e de todos os barnabés que se fiam no sistema financeiro baseado no capital, para depois amargarem uma velhice com rendas de aposentado cubano.
* * *
Nunca tive carro. Considero que este objeto, exceto para quem faz dele uso profissional estrito, não está ao alcance do poder aquisitivo que tenho. Claro, se eu tivesse por ele o mesmo tipo de desejo que muitos têm, eu poderia ter um: prestações, dívidas, renúncias - questões de opção. Se eu tenho algumas dezenas de milhares de reais disponíveis, ou a predisposição de tamanha dívida, prefiro torrá-los em viagem. Prefiro comer e beber algumas centenas de reais a mais a entregá-los a um banco mensalmente. Quem prefere diferente, opta pelo que encanta, pelo que seduz. Opta mesmo pelo carro como objeto sedutor, espécie de catalizador de orgasmos. De minha parte, provei na vida os prazeres, libidinosos mesmo!, que alguns versos me proporcionaram - com menos custos.

13 de junho de 2012

Ora bater na cangalha, ora no burro

  • O maior tédio é essa tal de CPMI. Todos sabem que ninguém ali tem nenhuma preocupação em levantar verdade nenhuma. Todo mundo sabe que ali é só um jogo de poder, de esconde rabos, de disputa feudal. Todos se equivalem: parlamentares, depoentes, testemunhas, governadores, réus, advogados. Tudo faz parte dessa decantada e louvada democracia. Só não entendo como ainda existe quem a defenda. É uma mentira muito arraigada e profundamente impingida no modo de pensar das maiorias.
Quem é burro, peça a deus que mate
 e ao diabo que carregue.
  • Fala a verdade, alguém bota fé nesse busão com sigla em inglês que estão enfiando na goela do belo-horizontino? Parece só mais do mesmo, de novo o de antes. Lembram que os corredores exclusivos seriam a salvação da pátria? Lembram dos elétricos comprados e apodrecidos nas garagens nos tempos do Newtão? E os postes pro tal colocados etá a Pampulha? Tem que fazer algo pra dar satisfação a dona Fifa, tem que fazer algo pra tirar um quinhão - mas a coisa não vai resolver nem por cinco anos. O buraco tem que ser mais embaixo, sim: embaixo da terra. Sem metrô, não há trem que resolva. Mas aí desinteressa a muita gente, exceto à maioria.
  • Quando as universidades brigarem mesmo com o PT será o princípio do fim do leviatã. Por enquanto, é só briga de marido e mulher - a imprensa que não é besta de meter a colher.
  • Tapadice foi querer substituir o football por ludopédio, o nome da coisa é chutebola. Ou era pra ser! E era pra ser um esporte, mas virou poeira nos olhos da plebe.
  • Estamos descobrindo que democracia, em geral, produz lixo. Quando é do tipo que os garis limpam, depois de passeatas, ainda está bem. Pior é quando é lixo parlamentar e precisamos chamar gente com outro tipo de farda pra limpar.
  • Todo mundo nas redes fica preocupado com a Comissão de Ética, CPMI, Comissão da Verdade e outros descalabros. Se cada um tratasse de seu petista adjacente como ele merece teríamos mais proveito.

3 de junho de 2012

Cacetadas - umas aqui, outras ali

Dá-se uma cacetada na cruz,
 outra no caldeirão.


  • Um dos pressupostos inegociáveis do que chamam democracia é a possibilidade concreta de que haja alternância no controle do Estado. Quando Lula declara publicamente que não consentirá no retorno de seus opositores ao governo fica patente a índole autoritária dos que tomaram para si governo, estatais, ONGs e instituições de ensino. Estamos sob o mais inteligente e sub-reptício regime totalitário de que me lembro.
  • Para nos livrarmos dos que nos molestam lá do alto, precisamos tratar primeiro dos que estão perto de nós. Nossa indignação e frustração não vai chegar ao Palácio do Planalto ou ao Congresso, mas pode atingir o eleitor dessa corja que está a nosso lado. Temos que começar a mudar o Brasil em nossa esfera, pelas pessoas de nossas relações. Diga em bom tom ao petista adjacente: você está errado!
  • Convocação pra depor em CPI é igual a eleição. Você tem que comparecer, mas não precisa dizer nada. Você tem que ir a urna, mas pode votar em branco. Você vai à Comissão e alega direito de silêncio. Ah, você também pode ir ao circo - e não precisa aplaudir os palhaços.
  • As pessoas se fixam em números como se fossem salvar a pátria. Agora o pleito é de 10% para educação. Imagine-se, tal seja atribuído em Lei. Aí um governo, com outros interesse, aloque 8% nas academias militares (é educação) e 1% para cursos de parlamentares no exterior (é educação). Sobra 1% pra patuleia. Adianta alguma coisa falar em engessar orçamentos em percentuais? Que tal tentarmos ser governados por 90% de gente bem intencionada? Não seria melhor?
  • Ouvi outro dia, de dona Dilma, no rádio: -- [...] "e quando se quer, pode-se transformar a realidade"... Juro que ela disse isso, mas ela não queria dizer que se pode construir uma mentira - embora seja isso que ela tenha dito. O problema de uma pessoa, quando ela fala muito mal, como é o caso, é que tudo que ela diga traindo seus interesses pode ser redeturpado, transmudado, travestido de sentido; nem o benefício do ato-falho pode ser aplicado. O discurso petista, lulesco, dilmentiroso, petralhano, é torpe, obtuso, tortuoso, eivado de bordões e de lugares-comuns. Raramente quer realmente dizer algo, normalmente pretende apenas preencher um espaço temporal com a verborragia já conhecida e acalentada pela patuleia. Nas poucas vezes que algo é dito e se pode depreender alguma informação, logo a seguir ou quando ela é questionada, o dito passa a ser desdito, o afirmado volta negado, o concreto fica interpretado e a realidade, queira-se ou não se queira, é transformada em mentira.
  • De vez em quando eu tenho vontade de falar mal do governo, mas os assuntos são tão repetitivos: corrupção, ingerência, autoritarismo, burocracia, nepotismo, sectarismo... Perde-se o sabor da novidade e as piadas se tornam velhas com tanto mais do mesmo nos proporciona a malta petista.