12 de agosto de 2012

Vote comigo, vote nulo

Não adiantaria mudar pessoas: o sistema vigente não presta. Qualquer santo se corromperia ali. Eu teria gosto em fazer política, mas não me arrisco a me misturar com porcos, pois sei que acabaria comendo farelo. Ninguém é bom, puro ou honesto e forte o suficiente para não ser corrompido pela estrutura eleitoral, política, partidária, legislativa, judiciária e administrativa do Brasil: o tal sistema que chamam de democracia.
Vote nulo, branco ou se abstenha:
o efeito é o mesmo, você não
será cúmplice da desfaçatez.
A mudança do sistema será lenta: décadas - se for feita. Mas penso que o primeiro passo seja começarmos a negar a validade do que estamos praticando. Negar a validade é, inclusive, não participar do processo. Não participar é votar nulo, branco ou abster-se de escolher algum bandido conhecido ou algum conhecido que vai se transformar em bandido.
Pense nisso ao ir às urnas, não se engane escolhendo nominhos e achando que isso vai fazer alguma diferença. Na prática, o voto da minoria serve só para referendar a opressão da patuleia pelos premiados pela loteria eleitoral. Isso é o que chamam de democracia, os cordeirinhos sufragando lobos, podem uns votar nos malhados, outros nos pardos e até nos verdes! Mas são todos lobos. Eu sou a ovelha negra, que vai fazer diferente e não vai mais votar em lobo nenhum, em vagabundo nenhum que quer é jantar a gente.

11 de agosto de 2012

Não voto em ninguém

O exercício do voto é o ato em que vontade do indivíduo, de foro pessoal, se torna ação coletiva. Entre a opinião e a ação há distância operativa. Pode haver coincidência entre opinião e ação, mas quando o voto é secreto essa coincidência é apenas hipotética. Não votar não é omissão; não necessariamente. Não votar pode ser não aderir à ação coletiva, a opinião pode ser manifestada em outras esferas, a da comunicação, como ocorre aqui.
Braco ou nulo, o efeito é o mesmo.
As pessoas estão convencidas que escolhendo melhor podem corrigir o sistema, mas apenas podem mudar uns erros por outros, umas pessoas erradas por outras que errarão. As pessoas estão persistindo no erro, persistindo no engodo de achar que eleições mudam alguma coisa. Só mudam a lista de réus, quanto mais espertos forem eles, menos puníveis.
Outros dizem que que não vota não pode reclamar depois. Não vou reclamar "depois" - estou reclamando AGORA - pois sei o resultado. Nenhuma das opções nas urnas, em nenhuma cidade, vai mudar o resultado: repetição dos nomes que farão as mesmas coisas, ou nomes novos que farão as mesmas coisas. O defeito não está nas pessoas (apenas) o defeito é o SISTEMA. Não existem escolhas quando o sistema não presta. Qualquer pessoa não presta, se esse sistema é corrupto. Não vou mais ficar votando nesse ou naquele, não vou tentar trocar ratos gordos por ratos magros. Vou reclamar sim, vou reclamar de bandidos, vou reclamar de incompetentes. O meu direito de não votar não outorga a ninguém direito nenhum de roubar, ou praticar nenhum crime. Não vou participar disso, não vou, não vou, não vou. Não vou endossar essa pornochanchada. Estou de fora. Não existe escolha entre bandidos, meio-bandidos, canalhas, meio-canalhas. Não vou escolher menos pior. Não vou mais fazer escolhas por cor do bigode, por mentira mais bonitinha, por biografia mais santa.

8 de agosto de 2012

Trocados e miúdos

  • Quem tem menos de 30 anos não sabe o risco que corremos, vou ilustrar: inflação é uma situação tão perniciosa que faz, em pouco tempo, que o botão seja o objeto mais valioso de uma pilha como essa.

Uma moedinha de R$0,05 já não compra um botão médio.
  • Não torço para as coisas darem errado para nossa economia (mas estamos naufragando) para que possamos nos livrar do PT (e ainda não estamos nos livrando); gostaria muito que o povo tomasse vergonha na cara (vai ser muito difícil) e defenestrasse a parte da quadrilha que não virou réu (lá na ação penal 470).
  • Enquanto o isso, o Estado maravilha de dona Dilma vai parando devagarzinho - toda tchurma entrando em greve: exatamente aqueles que apoiaram a quadrilha, agora querem mais leite em tempo de vacas magras. Vamos ver isso nas urnas, o que vai dar.
  • Pergunte-se à patuleia o que é "iniciativa privada"... Aposto que mais da metade fará alguma referência a vaso sanitário. Tenho certeza. Pois são esses que escolhem os nossos governantes. Dizem por aí que o nome disso é democracia: dar o controle das tetas do governo àqueles que mamam com mais simpatia.
  • Discuto política o tempo todo, mas quem me oferecer candidato ou candidato que se oferecer a mim será solenemente defenestrado. O princípio da dúvida em benefício dos réus é coisa de tribunais, nas minha relações a medida é outra. Sabiá não vira canário porque mudou de cantiga, não senhores. Quem se candidata ou troce muito por candidaturas, militantes, são todos indesejados

1 de agosto de 2012

A necessidade de ter vivido a história

Não concordo com a necessidade de "ter vivido a história" para poder analisá-la com critério, basta que sejamos honestos na pesquisa dos fatos e ouçamos todos os lados sem paixões. É claro que cada um tem a sua trajetória particular e deve se orgulhar de sua história de vida mas isso não nos autoriza a ser inconsequentes em nossas colocações. Currículos estrelados de nada valem se através deles formos incapazes de avaliar com precisão o momento presente, amarrados que nos mantivermos a um passado de glorias e/ou sofrimentos. E enfaticamente não concordo que quem não participou do movimento estudantil nos anos 60 "não viveu a história, foi omisso". Esse é um pensamento anacrônico, todas as tendências de uma época devem sim ser respeitadas, é o conjunto que desenha os fatos e não as partes. E também não aceito essa ideia de que "quem não estava lá" não tem condições de analisar, isso é negar toda a metodologia científica de que dispomos, fosse assim ninguém teria condições de analisar qualquer época da historia da humanidade.
por: Maria do Rosario Pacheco

Maria do Rosario Pacheco é médica
e atenta observadora do Brasil,
país que está muito doente.
Ao nos basearmos unicamente em nossa própria historia pessoal para analisar o presente nos esquecemos que também nossa vida é dinâmica e mutável e está firmemente relacionada à nossa evolução como pessoas, baseada em nossos valores intrínsecos. E aí mora a diferença: embora eu tenha tido experiencias em tudo semelhantes às de muita gente que pensa diferente, embora eu tenha participado ativamente de movimentos estudantis e convivido em minha juventude com várias das personalidades citadas e outras mais que aqui não foram lembradas, embora eu tenha tido à época bom relacionamento com a maioria não misturo estações. Muito firmemente analiso a situação politica hoje no Brasil como uma das piores que já vivemos.
O PT com sua ideologia retrograda e inconsequente é a maior tragédia que poderia nos acontecer e Lula o maior engodo a que foi submetida a população brasileira.
O mensalão é o maior escândalo de corrupção da História do Brasil, não há o que se lhe compare e tentar desqualificar qualquer um que tente discutir sobre ele, a qualquer tempo, é apenas mais uma tentativa irresponsável de mudar o foco da questão. Nesse momento todos os que se dizem preocupados com o futuro do país, todos os brasileiros de bom senso devem se unir em torno desse tema. 
Não amigos, não são todos "farinha do mesmo saco", a podridão e torpeza dos mensaleiros se abriga em outro compartimento, podem estar certos disso.