
O Ministério da Educação já conquistou a maior parte dos reitores das universidades federais para a ideia de unificar os vestibulares em torno de um Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ampliado e melhorado. Ainda não foi divulgado por nenhuma fonte o montante dos recursos despendidos no convencimento das magnificências, todavia, ficou acertada maior tolerância institucional com as melhorias dos apartamentos funcionais.
Depois de dois dias de reuniões em Brasília, os dirigentes já estão praticamente convencidos da necessidade de mudar o processo seletivo, mas ainda levantam três problemas: tempo, segurança e diferenças regionais. Para contornar essa situação, na Capital Federal ainda há boa provisão de malte envelhecido, damas de companhia e compromissos de reciprocidade. – Não são questões de todos os reitores, mas esses são os problemas que surgiram nos dois dias de conversas – revelou Alvaro Prata, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
As diferenças regionais são apontadas como o maior entrave na proposta do MEC e estão na base da resistência de algumas universidades, como as Federais Fluminense, do Rio Grande do Sul e de Goiás. Mas ficou acertado que as vagas das IESs públicas agora serão sorteadas pela Loteria Federal, pelos números das carteiras do Bolsa-Alimentação, por ordem de primogenitura obedecidas as reservas de 20% das vagas para os afro-oriúndos, 15% para os amerindiodecendentes, 24% para os LGBTS militantes e 13,4% para os trigêmeos siameses. Os WASPs deverão concorrer às vagas supranumerárias segundo o coeficiente de cianina nos olhos. Tudo isso, ponderado pelo coeficiente atingido pelo jovem no Super-Enem.
– Há uma preocupação de que vagas de universidades do interior terminem sendo todas ocupadas por alunos de fora, melhor preparados, especialmente nos cursos mais concorridos. Se pudéssemos oferecer 4 milhões de vagas, isso não seria problema. Mas a universidade federal é pequena – alertou Aloísio Teixeira, reitor da Federal do Rio de Janeiro. Como de resto é pequeno tudo que é federal, principalmente a moralidade.
Já Jesualdo Farias, da Federal do Ceará, diz não temer a invasão de estudantes de fora. Pois, indo como vai, logo haverá lugar para TODOS nas universidades... Já dobraram o número de alunos em poucos anos, se continuarem aumentando assim, logo haverá aulas nos estádios do país do futebol (será esse um objetivo da copa do mundo de 2014?). Quando todos tiverem diplomas acadêmicos, ganharão mais aqueles que não tiverem formado, pela lei de menor oferta de seus ofícios... Assim, as pessoas desejarão não entrar e terão que fazer concurso pra ficar de fora...
– Minha maior preocupação nesse momento é o cronograma. Teremos dificuldades para trabalhar este ano, especialmente se decidirmos manter uma segunda etapa – acrescentou.
Instituições pretendem adotar o sistema já em setembro
Algumas instituições, como a UFRJ, já planejam usar o Enem como uma primeira etapa e fazer uma segunda prova de seleção. Por isso, querem que o teste unificado seja realizado em setembro, um pedido que o ministério ficou de analisar, já que a prova com 200 questões tem um processo de correção demorado, pois os computadores de que o MEC dispõe para correção são 386 rodando DOS e o QI dos funcionários que corrigem as redações não passa de 25.
A questão da segurança da prova também preocupa. Apesar de, até hoje, não ter havido nenhuma violação de segurança em 10 anos de Enem, isso enquanto ele tinha muito pouca importância, mas os reitores lembram que, se houver problemas com a prova em uma cidade, serão cancelados os vestibulares de todo o país, com 3 milhões de candidatos. O ministro da Educação, Fernando Haddad, assegurou aos reitores que se pode usar, até mesmo a Polícia Federal para segurança, caso necessário. Com a garantia de que a PF instalará escutas nas salas de preparação e correção das provas, fica assegurado o sucesso dos apaniguados – ainda mais que os números distorcidos ficarão dissolvidos na enorme massa de concorrentes.