Vontade política não resulta mesmo: eu queria que Lula não fosse eleito - foi; eu queria que Lula não tomasse posse - tomou; eu queria que Lula não fosse reeleito - vocês conhecem a história recente. Se bem que Lula, duas vezes, e a sucessora dele não tiveram antagonistas, então ganharam por WO - mas ganharam.
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| Quem fica na vontade política, fica só na vontade. |
Agora, eu não quero que dona Dilma se reeleja, mas acho que vão reeleger essa senhôra. Depois, acho que - se, por acidente (tenho falado em curto-circuito nas urnas eletrônicas, mas pode ser um estalo de Vieira no eleitorado), um dos antagonistas dela for eleito, não toma posse: eles simplesmente não podem dar posse a um opositor que lhes vasculhe as contas. Como vão vencer (quase sem sombra de dúvida) ou como não darão posse? Não sei! Das formas mais escusas, tacanhas, abjetas e ignóbeis que se fizerem necessárias - rasgar a Constituição nem mais é gesto de efeito: aquilo já é um trapo mesmo.
Se, por incompetências das vontades governantes (e suma incompetência eles têm amplamente demonstrado) e por ventura, a dama de vermelho perde as eleições e dá posse a outrem, outrem não governa. Passará quatro anos enfrentando o segundo escalão em todos os braços do Estado e nos organismos paraestatais (inclusive UNE e MST - que são também para(sitas)estatais - para citar só dois deles).
O eventual, presuntivo e improvável vencedor de dona Dilma fará o pior governo de toda a história da República - e olhe que vencer esse certame é algo de se notar! Resultado: depois de quatro anos, a corja que está no Planalto volta triunfante e com aquela derrisão asquerosa que já nos habituamos a ver neles, o escárnio diante de nossa impotência e inércia.
Senhoras e senhores, o rumo do país não será traçado pelos resultados das urnas de outubro. A questão a ser sufragada não é um nome, a questão a ser debatida não é de programas, o pleito não é plebiscitário. Não importa o nome - ninguém vai salvar a pátria. Não importa o programa proposto - nenhum deles será executado. Não importa a vontade do povo - ela pode ser manobrada demagogicamente com os dinheiros das bolsas, das empreiteiras e as propinas do petróleo e da energia. Vontade do povo não é soberana: é serva, é barregã. Quase o mesmo ocorre com a vontade política: mas esta é veleidade. Não se trata de por em causa a vontade política, é hora de invocarmos a ação política. Ficar na vontade não resulta. É hora de agirmos. Ou fugirmos.


