17 de maio de 2014

Vontade política não faz efeito

Vontade política não resulta mesmo: eu queria que Lula não fosse eleito - foi; eu queria que Lula não tomasse posse - tomou; eu queria que Lula não fosse reeleito - vocês conhecem a história recente. Se bem que Lula, duas vezes, e a sucessora dele não tiveram antagonistas, então ganharam por WO - mas ganharam.
Sempre há mais de um caminho ao mesmo destino: o mundo é esférico.
Quem fica na vontade política,
 fica só na vontade.
Agora, eu não quero que dona Dilma se reeleja, mas acho que vão reeleger essa senhôra. Depois, acho que - se, por acidente (tenho falado em curto-circuito nas urnas eletrônicas, mas pode ser um estalo de Vieira no eleitorado), um dos antagonistas dela for eleito, não toma posse: eles simplesmente não podem dar posse a um opositor que lhes vasculhe as contas. Como vão vencer (quase sem sombra de dúvida) ou como não darão posse? Não sei! Das formas mais escusas, tacanhas, abjetas e ignóbeis que se fizerem necessárias - rasgar a Constituição nem mais é gesto de efeito: aquilo já é um trapo mesmo.
Se, por incompetências das vontades governantes (e suma incompetência eles têm amplamente demonstrado) e por ventura, a dama de vermelho perde as eleições e dá posse a outrem, outrem não governa.  Passará quatro anos enfrentando o segundo escalão em todos os braços do Estado e nos organismos paraestatais (inclusive UNE e MST - que são também para(sitas)estatais - para citar só dois deles).
O eventual, presuntivo e improvável vencedor de dona Dilma fará o pior governo de toda a história da República - e olhe que vencer esse certame é algo de se notar! Resultado: depois de quatro anos, a corja que está no Planalto volta triunfante e com aquela derrisão asquerosa que já nos habituamos a ver neles, o escárnio diante de nossa impotência e inércia.
Senhoras e senhores, o rumo do país não será traçado pelos resultados das urnas de outubro. A questão a ser sufragada não é um nome, a questão a ser debatida não é de programas, o pleito não é plebiscitário. Não importa o nome - ninguém vai salvar a pátria. Não importa o programa proposto - nenhum deles será executado. Não importa a vontade do povo - ela pode ser manobrada demagogicamente com os dinheiros das bolsas, das empreiteiras e as propinas do petróleo e da energia. Vontade do povo não é soberana: é serva, é barregã. Quase o mesmo ocorre com a vontade política: mas esta é veleidade. Não se trata de por em causa a vontade política, é hora de invocarmos a ação política. Ficar na vontade não resulta. É hora de agirmos. Ou fugirmos.

15 de maio de 2014

As fogueiras juninas e as manifestações para hoje

Sinto que hoje haverá fogueiras. Talvez sejam alguns incêndios aqui e ali, talvez seja uma grande queima - não sei. Fogueiras são mesmo nosso hábito junino. Por mais que a FIFA esteja mandando cancelar o São João, a canção ainda dirá "acende a fogueira do meu coração" ou "vem, vamos embora, que esperar não é saber".
Haverá problemas, não sei a dimensão nem que vai sair chamuscado.
As coisas vão esquentar a partir de hoje.
Eu não vou pular nas chamas, já disse, se precisarem de um apoio aqui e ali, de uma orientação sobre como empilhar a lenha ou dar um sopro, estou junto.
Até as criancinhas sabem que, para haver fogo, são necessários três elemento: combustível (o povo) o comburente (o descontentamento) e o calor (a Copa), ignição.
Para combater o fogo, chamam os bombeiros (ou polícia, exército...) e para apagá-lo se usam extintores (ou jatos de pimenta), macheados e foices (ou cassetetes).
Mas, se houver vento na direção certa, não há combate que extinga as chamas. Só não seio rumo que elas tomarão nem quanto a situação vai esquentar. Afinal, seja como for, ainda estamos no princípio do angu que soe ser mingau.

As letras da música todo mundo sabe:

"pula a fogueira,iaiá
pula fugueira ioiô
cuidado para não se queimar
olha que a fogueira
já queimo o meu amor..."

Agora, as recomendações de sempre continuam válidas:

  • limpe bem o terreno ao redor de onde o fogo será aceso;
  • mantenha ao alcance água suficiente para extinguir o fogo, caso ocorra algum problema;
  • quem brinca com fogo faz xixi na cama (quem nunca ouviu isso?);
  • quem cospe no fogo fica tuberculoso;
  • quem fax xixi no fogo, nunca mais consegue urinar e morre;
  • não é bom apagar o fogo de uma fogueira com os pés e sim batendo com galhinhos de árvores.
  • leve gaze, água ou soro fisiológico, que são mais eficientes para remediar os efeitos das armas;
  • não use lentes de contato. Os gases tendem a aderir a elas, irritando ainda mais os olhos;
  • se possível, leve máscaras e óculos que protejam o nariz e os olhos;
  • coloque, se possível, um lenço embebido em água em torno do nariz e da boca;
  • se você tem asma, leve sua bombinha, pois tanto a bomba de gás lacrimogêneo quanto o spray de pimenta causam broncoespamos (contrações nas vias respiratórias) e dificuldade para respirar;
  • os gases causam, também, sensações de ansiedade. Não entre em pânico, os efeitos são reversíveis e passam rapidamente, em no máximo 30 minutos. A maioria das pessoas tende a suportar bem os efeitos dessas substâncias;
  • esses produtos também irritam a pele, causando sensação de queimadura. Cubra a maior parte possível do corpo para evitar a absorção dos componentes químicos. Tecidos impermeáveis, como os de capas de chuva, são os mais indicados.

12 de maio de 2014

E se Lula morre?

Hoje fiquei imaginando. E se Lula morre? Sim, pois ele ainda não está acima ou fora dessa hipótese; na verdade, nem se trata de hipótese, é um evento indeclinável de ocorrência futura em data incerta; portanto, ele vai mesmo morrer e eu posso considerar que isso venha a ocorrer mais ou menos tardiamente. Pois bem, e se fosse de imediato?
A primeira decorrência da morte de Lula seria o PT se transformar no partido mais partido da história. Quanto mais um cacique centraliza, menos possibilidade de continuidade o regime terá. Ou alguém espera que Lulinha advenha um Kim Jong-un? Pronto: coloquei a exceção que confirma a regra, de modo a neutralizar as críticas por antecedência.
Em se supondo que o fato certo ocorra antes de um mês das eleições, fica mais certo ainda e sabido que Dilma não se reelegerá: sem o padrinho e cabo eleitoral, sem o partido que se partirá, ela vai se esvair como um traque expelido pelo terceiro tarol da bateria da Mangueira na apoteose: sem ruído audível, sem odor perceptível.
Dilma não se elege nem síndica de cabeça de porco sem Lula.
Um dia ele se vai, não há como cooptar a morte.
Depois, desmantelando-se o poderoso partido, já partido, apeados do Planalto, instaura-se o salve-se quem puder: imagine se as contas de tudo aqui vão parar na mão um governo antagônico? Xilindró pra meio mundo. A trupe vai achar que, em o circo pegando fogo, é hora de sumir do picadeiro e tentar fruir os dividendos de Passadena noutra praia. Como se as ações reipersecutórias (não perco a chance de usar essa palavra pedante) e personaperseguintes (também aproveitei a chance de um neologismo, por que não?) não rodassem o mundo em todas as direções: não há mais rota segura para trânsfugas; os israelenses desenvolveram a tecnologia necessária para perseguir facínoras onde e como quer que eles se escafedam. Com o advento da internet e a tal da globalização, até um caixeiro gorducho e safado como o PC Farias foi grampeado do outro lado do mundo e trazido para ser deletado aqui.
Que mais podemos esperar? Com esses três tópicos eu já me dou por satisfeito. A partir desses eventos podemos começar a reconstruir o que a mais deletéria quadrilha de nossos tempos depenou. Para isso, convoquemos deus e o papa, pois vamos precisar benzer todas as repartições públicas, queimar enxofre em todas as universidades, jogar cânfora atrás das portas de cada sala de aula do país... Há de haver creolina para os quartéis e formol para os tribunais. Hipoclorito para os legislativos e clorexidina nas estatais: não se trata apenas de passar o país a limpo, como não poderemos fazer tábula rasa, teremos que expurgar toda forma vegetativa de todos os microrganismos patogênicos instalados em todos os braços do Estado. Esse é o problema.
A sorte é que não estamos lidando com a Hidra de Lerna, nem com a Medusa, mas com um Leviatã Uniceps (que tem uma só cabeça), corta-se lhe e ele esfarela putrefato.