26 de setembro de 2010

Coerção eleitoral


Alguns aspectos na coerção eleitoral, um antigo que perdura, outro mais recente, outro que mistura métodos antigos e novos, remasterizando-os:
  • A cooptação compulsória do voto dos barnabés; ninguém que bata carimbo em qualquer repartição pública, de qualquer escalão administrativo, está se sentindo livre para optar, ou melhor, todos são livres para votar no grupo que controla a repartição.
  • A expressão pública de intenção de voto; mesmo que nas urnas o indivíduo tenha seu momento de privacidade, no seu carro, em sua casa, seu muro, seu chaveirinho exibe as cores e números do candidato que o controla. Esse tipo de coisa pode vir a ser mais importante mesmo que o voto individual e uno. Se pessoa circula de carro o dia todo, se 90% dos carros no estacionamento do órgão estão com tal adesivo, fica a impressão de que é a vontade de cada um expressa – podendo ser, na verdade, a expressão do controle hierárquico sobre o voto. Não preciso alongar o raciocínio: o cabresto agora vai em quem está ao volante.
  • Mais uma, existe a possibilidade de que estejam, muitas pessoas humildes, interpretando as pesquisas eleitorais como inquirição do Estado – possibilitando-lhe, inclusive controle das benesses. Para complicar esse fator, há ainda o censo – gente batendo de porta em porta à mando do governo e perguntando quanto tem em seu bolso.

Pontos em comum

Há três coisas preconizadas pelos políticos unanimemente, mas segundo suas condições:
  • DEMOCRACIA - quem mantenha a ordem natural das coisas e meu grupo no controle do Estado;
  • REFORMA ELEITORAL - que me possibilite contínuas reeleições e depois a meus filhos, pelos séculos dos séculos;
  • REFORMA FISCAL - que aproxime mais as brasas de minha... sardinha; facilitando a captação do milho e garantindo o pedaço maior da broa para os meus.