28 de abril de 2012

As cotas já são: pobres de nós

STF julgando caso das cotas raciais.
O problema das cotas não foi resolvido pelo STF. Penso mesmo que agora é que a situação se tornou grave. As questões são muitas, uma lista sem fim. Mas vamos pensar o seguinte: 1- Vale a pena o risco de se estar criando uma secessão étnica, também conhecida ali do outro lado do Atlântico como apartheid? Afinal, tudo que vem para bem, vem também para mal. Daqui a 10 anos, talvez estejamos saindo da fila do médico negro, não batendo à porta do advogado mulato, pois eles têm possibilidade de ter sido favorecido por cotas de ingresso exatamente na mesma proporção que serão alijados do mercado! 2- Qual a função das IESs? Qualificar profissionais, núcleos de ensino, pesquisa e extensão - ou polo de assistência social, política étnica e demagogia eleitoral? Bem, essas seis funções estão em conflito atualmente. 3- Não conheço exatamente os números, mas não terei errado por muito: os alunos que possam vir a ser favorecidos pelos cotas são apenas aqueles bem próximos da faixa qualitativa do aproveitamento, aqueles a quem mais 5% ou 10% de coeficiente teriam colocado dentro das instituições. Da massa crítica de postulantes que integram camada pretensamente desfavorecida, esse coeficiente será inferior a 1%. A política pretensamente social que alcance parcela irrelevante do universo a que se destina não gera efeitos em escala demográfica. Mas aqui subsiste o efeito político da ação, o objetivo real do sistema de cotas: ele é eleitoreiro. 4- Subsistem todas as considerações genotípicas e fenotípicas sobre a impossibilidade de observância dos critérios jurídicos e constitucionais da seleção dos favorecidos: princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. Como se decide com impessoalidade se alguém tem aparência de ter traços afros? Por meio de espectrômetro de melanina? Ou estatística de DNA? 5- Como se sentirão, dentre os colegas, diante dos professores, e pelo resto da vida diante dos concorrentes, aqueles que receberem o carimbo de cotista - ou hipoteticamente cotista? Haja divã. Como lidaram os professores com um alunado de dupla qualificação? Nivelando por baixo? Uns 5% ou 10% a menos de qualidade nas lições só para alcançar todos? 6- A "legítima revolta" daquele cidadão fantasiado de "índio": primeiramente, não vi nada de legítimo naquilo, para mim não passou de um mal educado que conseguiu, indevidamente, tudo que pretendia, tudo: aparecer na mídia. Aquele sujeito pretendia, no grito, subverter o funcionamento de uma corte - entendida como todos nós como um dos três pilares do Estado. Pretendia fazer isso, ou aquilo, afinal ele não teve voz (felizmente) pois se qualquer um for pleitear aos berros, sabe-se lá o quê, sabe-se lá em qual de nossas instituições, vamos logo acabar com todas elas e voltar à barbárie. As pessoas julgam só pelo que viram, e pelo romantismo de se revestem. Quem disse que aquele senhor é índio? Basta decupar um espanador e enfeitar a cabeça para virar índio? Afinal, o que determina que uma pessoa é índio, as penas? Para ser uma mal educado, àquele indivíduo nem penas faltaram. Nem o jeans. Nem o bigode a denunciar-lhe alguma etnia importada, nem a perfeita arcada dentária a denunciar-lhe a longa aculturação e serviço ou higiene bucal. Voltam as questões genotípicas e fenotípicas, multiplicadas pelas antropológicas e jurídicas: quem é índio, cara pálida? Resposta: índio, mulato ou quilombola é quem grita que é! Dá para se ir longe, ou a parte alguma. Sinto odores de partículas fecais disseminadas no ambiente pelo sistema de circulação de ar: jogaram merda no ventilador!

26 de abril de 2012

Bicéfalo por segurança


Bicéfalo

Minha cabeça da direita é de esquerda, minha cabeça de esquerda é de direita. Nenhuma delas é petista. Pra quem sabe, fui criado nas Cabeças. Resolvi dividir minha ambiguidade e as incoerências em dois encéfalos em honra daqueles que são gerados sem nenhum e têm sido obrigados a existir sem serem humanos.
Tornei-me também bicéfalo para diminuir a possibilidade de que me considerem anencéfalo. Além disso, havia ideias demais para uma cabeça só; agora, o congestionamento diminuiu.
O diálogo entre as partes, quando em discórdia, é sempre um desacordo moral razoável. Não resulta sempre síntese, mas resolvemos as diatribes no voto: quando há empate, decidimos na porrinha; se continuar empatado, vamos para o cuspe a distância.
Dobrei os gastos com chapéu, cabeleireiro, barbeiro, dentista, oftalmologista, gravatas - o otorrino faz a festa.
Também passei a cobrar em dobro pela revisão, afinal são olhos em dobro a ler os textos alheios. Um travesseiro só continua bastando.
Complica quando cada cabeça quer ler um artigo diferente, tenho que largar um livro para passar a página do que está na outra mão; toda hora faço isso, é chato.
Haja estômago, para digerir o apetite de duas bocas. Tudo o mais, do pescoço para baixo permaneceu inalterado, deixo de comentar os problemas decorrentes, pois são bem íntimos.
Estou aprovando a experiência. Recomendo a todos.

22 de abril de 2012

Novo livro: Revisão de textos - teoria e prática

A revisão profissional de textos é atividade em expansão, principalmente em função do aumento na produção de textos. Porém, o revisor segue sendo improvisado, um profissional sem critério estabelecido de formação, sem mesmo bibliografia consolidada que o subsidie no ofício. Revisores têm sido formados revisando, foi assim que me formei.
Revisão de textos
teoria e prática

Número de páginas: 261
Edição: 1(2012)
Formato: A5 148x210
Coloração: Preto e branco
Acabamento: Brochura c/ orelha
Tipo de papel: Offset 75g
Mas uma nova geração de revisores já desponta, com os diversos cursos, novos e incipientes, que têm tentado formar para a revisão. Esse pessoal que ingressa no mercado do texto precisa da lição e da experiência de quem já está no ramo e tem muito a nos oferecer, por isso ofereço a todos esse livro, cuja proposta é a partilha da experiência adquirida, trata-se de obra estritamente sobre a revisão, com sugestões, discussões teóricas, relato de situações, um pouco da cultura e do folclore em torno dessa atividade profissional.

Revisão de textos – teoria e prática – é a contribuição que trago aos colegas revisores, tanto aos já experientes quando os que estejam em formação. Partilho aqui a experiência de mais de dez anos revisando, estudando, publicando e aprendendo sobre o assunto.

O livro: Uma PRIMEIRA PARTE, explicando ao que vem a obra. CONCEITOS GERAIS, parte teórica e conceitual da revisão de textos. O capítulo RELAÇÃO COM O CLIENTE trata das relações profissionais entre autor e revisor – essa cooperação de amores e ódios. Em LINGUÍSTICA E REVISÃO discuto e apresento algumas decorrências dos estudos linguísticos para a prática da revisão. PRÁTICAS DO OFÍCIO partilha algo de tudo que tenho experimentado. Depois, PROBLEMAS DO OFÍCIO DE REVISOR, afinal, este é um livro de profissional para profissional. Em seguida, FORMATAÇÃO E PREPARAÇÃO DE TEXTOS. Depois algumas HISTÓRIAS E FOLCLORE DA REVISÃO, em que tentei fugir do óbvio. Uma pequena ANTOLOGIA, CRESTOMATIA, FLORILÉGIO de ideias alheias. A ÚLTIMA PARTE é um título coerente com o da abertura e assim ficará parecendo que o trabalho fica arrematado. Mas não fica não. Nem é o caso de, como pretendem alguns autores, dizer que serão conclusões parciais ou conhecimento provisório. Depois de tudo, ainda há um GLOSSÁRIO, monte de conceitos e palavras dos ramos da revisão.
O livro já está disponível em formato impresso e e-book na AG-Book, obtenha o seu.
Versão impressa: R$44,61
Versão ebook: R$18,09