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| STF julgando caso das cotas raciais. |
O problema das cotas não foi resolvido pelo STF. Penso mesmo que agora é que a situação se tornou grave. As questões são muitas, uma lista sem fim.
Mas vamos pensar o seguinte:
1- Vale a pena o risco de se estar criando uma secessão étnica, também conhecida ali do outro lado do Atlântico como apartheid? Afinal, tudo que vem para bem, vem também para mal. Daqui a 10 anos, talvez estejamos saindo da fila do médico negro, não batendo à porta do advogado mulato, pois eles têm possibilidade de ter sido favorecido por cotas de ingresso exatamente na mesma proporção que serão alijados do mercado!
2- Qual a função das IESs? Qualificar profissionais, núcleos de ensino, pesquisa e extensão - ou polo de assistência social, política étnica e demagogia eleitoral? Bem, essas seis funções estão em conflito atualmente.
3- Não conheço exatamente os números, mas não terei errado por muito: os alunos que possam vir a ser favorecidos pelos cotas são apenas aqueles bem próximos da faixa qualitativa do aproveitamento, aqueles a quem mais 5% ou 10% de coeficiente teriam colocado dentro das instituições. Da massa crítica de postulantes que integram camada pretensamente desfavorecida, esse coeficiente será inferior a 1%. A política pretensamente social que alcance parcela irrelevante do universo a que se destina não gera efeitos em escala demográfica. Mas aqui subsiste o efeito político da ação, o objetivo real do sistema de cotas: ele é eleitoreiro.
4- Subsistem todas as considerações genotípicas e fenotípicas sobre a impossibilidade de observância dos critérios jurídicos e constitucionais da seleção dos favorecidos: princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. Como se decide com impessoalidade se alguém tem aparência de ter traços afros? Por meio de espectrômetro de melanina? Ou estatística de DNA?
5- Como se sentirão, dentre os colegas, diante dos professores, e pelo resto da vida diante dos concorrentes, aqueles que receberem o carimbo de cotista - ou hipoteticamente cotista? Haja divã. Como lidaram os professores com um alunado de dupla qualificação? Nivelando por baixo? Uns 5% ou 10% a menos de qualidade nas lições só para alcançar todos?
6- A "legítima revolta" daquele cidadão fantasiado de "índio": primeiramente, não vi nada de legítimo naquilo, para mim não passou de um mal educado que conseguiu, indevidamente, tudo que pretendia, tudo: aparecer na mídia. Aquele sujeito pretendia, no grito, subverter o funcionamento de uma corte - entendida como todos nós como um dos três pilares do Estado. Pretendia fazer isso, ou aquilo, afinal ele não teve voz (felizmente) pois se qualquer um for pleitear aos berros, sabe-se lá o quê, sabe-se lá em qual de nossas instituições, vamos logo acabar com todas elas e voltar à barbárie. As pessoas julgam só pelo que viram, e pelo romantismo de se revestem. Quem disse que aquele senhor é índio? Basta decupar um espanador e enfeitar a cabeça para virar índio? Afinal, o que determina que uma pessoa é índio, as penas? Para ser uma mal educado, àquele indivíduo nem penas faltaram. Nem o jeans. Nem o bigode a denunciar-lhe alguma etnia importada, nem a perfeita arcada dentária a denunciar-lhe a longa aculturação e serviço ou higiene bucal. Voltam as questões genotípicas e fenotípicas, multiplicadas pelas antropológicas e jurídicas: quem é índio, cara pálida? Resposta: índio, mulato ou quilombola é quem grita que é!
Dá para se ir longe, ou a parte alguma. Sinto odores de partículas fecais disseminadas no ambiente pelo sistema de circulação de ar: jogaram merda no ventilador!



